Autor : ADZAMARA REJANE PALHA AMARAL

Modalidade : AT 10 - Sociodiversidades e comunidades tradicionais no semiárido

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:O presente artigo teve como objetivo analisar algumas produções bibliográficas que trazem relatos memorialísticos dos moradores da antiga cidade de Sento-Sé (BA), atingidos pela construção da barragem de Sobradinho na década de 1970. Nesta pesquisa também foram tratados os dados e informações referentes às outras construções de barramentos ao longo do Rio São Francisco, para a geração de energia elétrica em outras comunidades inundadas. Os autores utilizaram jornais da época, documentos de fontes institucionais e análises dos discursos desenvolvimentistas do Governo Federal para justificar a construção da barragem de Sobradinho. Eles coletaram dados através das entrevistas com moradores e usaram como material que serviram como testemunho para compreender os impactos socioambientais causados pela construção da barragem de Sobradinho.

Autor : MARIA LUÍZA COELHO CAVALCANTI

Modalidade : AT 10 - Sociodiversidades e comunidades tradicionais no semiárido

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Este trabalho tem como objetivo mostrar como a vaquejada é de suma importância para a cultura e para região nordestina e agora para o país, devido à proporção que chegou aos dias atuais, buscando também um posicionamento consolidado da justiça quanto à sua legalidade, amparada pela Constituição Federal em parceria com o Direito Ambiental, garantindo que existem tantos benefícios trazidos por tal esporte que nasceu na região semiárida com a lida do gado da pecuária extensiva, bem como a sociedade formada entre o poder publico e privado para dar o devido respeito aos animais envolvidos. Assim como as normas da ABQM (Associação Brasileira de Quarto de Milha).

Autor : MARIA WALESKA CAMBOIM LOPES DE ANDRADE

Modalidade : AT 10 - Sociodiversidades e comunidades tradicionais no semiárido

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Como ocupar um espaço rural preservando sua biodiversidade? O Assentamento Nova Aliança foi criado num local de características geográficas que denotam beleza e especificidade. Chama-se de Saco por constituir um espaço circundado de serras e serrotes, no meio do qual se encontra o Açude do Saco. Além do Assentamento Nova Aliança, encontra-se no Saco o Parque Estadual Mata da Pimenteira, uma Unidade de Conservação da Caatinga, o IPA - PE (Instituto de Pesquisas Agronômicas), a Unidade Acadêmica de Serra Talhada, uma extensão da Universidade Federal Rural de Pernambuco e a Universidade de Pernambuco que aí está se instalando. Procurou-se conhecer a comunidade habitante do Saco a fim de estabelecer um processo de cooperação para o desenvolvimento sustentável. O presente estudo apresenta os resultados de uma análise fatorial confirmatória do modelo trifatorial sobre a preocupação que as pessoas teriam com as questões ambientais, proposto por Schultz (2001) e aplicado aos habitantes desta comunidade rural do Sertão do Pajeú pernambucano. Participaram da pesquisa 52 moradores do Saco, de ambos os sexos (59,7% feminino), com idades variando de 12 a 75 anos. Pediu-se aos membros da comunidade do Saco que respondessem à seguinte afirmação: “Preocupo-me com os problemas do meio ambiente por causa das consequências ruins que podem ter para...”, assinalando a importância que dariam a um conjunto de 11 itens, considerando uma escala de 6 pontos que estabelecia: 1 como “nada importante” e 6 como “muitíssimo importante”. A aplicação foi feita durante três dias, sendo que em dois dias foram feitas visitas a residências da comunidade e no último dia foi realizada aplicação na Escola Municipal Brás Magalhães com discentes do ensino fundamental II. Foram extraídos três fatores, com rotação Oblimin (Schultz, 2001), cujas cargas fatoriais são significativas para N = 52, esses três primeiros fatores explicando 43,9% da variância. O cálculo do coeficiente alpha de Cronbach demonstrou a confiabilidade da agregação dos itens aos fatores: Preocupação com a Natureza ou Preocupação Biosférica (cinco itens; alfa= 0,805); Preocupação Egocêntrica ou Preocupação Consigo Mesmo (quatro itens; alfa=0,705) e Preocupação Altruísta ou Preocupação com o Outros (três itens; alfa = 0,624). Os resultados mostraram que existem os três objetos de preocupação valorativa sobre o meio ambiente entre os habitantes da comunidade do Saco, sendo por isso favorável a um processo de maior conscientização sobre o respeito ao espaço natural.

Autor : MARCELO CLARO LARANJEIRA

Modalidade : AT 10 - Sociodiversidades e comunidades tradicionais no semiárido

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:No município de Crateús, na década de 90, iniciou-se o processo de mobilização sociopolítico, resultante na constituição dos grupos Kalabaça, Kariri, Potiguara, Tabajara, Tupinambá e Guarani. Promovida pela ação da Pastoral Raízes Indígenas da Diocese de Crateús, tal articulação foi empreendida por moradores da zona urbana da cidade, formando nove aldeias, onde a Escola Municipal Airam Veras recebe atualmente esse público como discente no ensino básico. O referido artigo objetiva analisar a etnicidade dos que compõem estas coletividades, considerando implicações de contextos urbano/rural, já que os mesmos localizam-se na periferia, sendo dependentes direta ou indiretamente de atividades camponesas, e qual o papel da escola regular nesta construção. Para atingir a finalidade desse estudo relacionamos etnicidade, etnologia indígena, antropologia urbana e suas relações com as atividades campestres, com o intuito de usar essas informações para a produção de projetos políticos pedagógicos que contemple melhor os grupos indígenas que é maioria na comunidade escolar citada. Por meio de relatos etnográfico, que integra texto e imagem, evidenciamos o processo de urbanização da cidade, mostrando como ela se tornou um polo universitário distribuidor de bens e serviços onde se encontra em plena revolução técnico-cientifico-informacional no Centro-oeste do Ceará, privilegiando a visão dos indígenas discentes e examinando como vivem, sua percepção da cidade e das experiencias exercidas nas devidas atividades e do ser indígena nestes espaços, principalmente educacional. Onde o conceito de identidade encaixa-se na multilocalização proposto por Marcus, revelou-se, então, apropriado para essa análise, pois afirma que a identidade de alguém no local onde mora, entre vizinhos, amigos, parentes ou pessoas estranhas é apenas um dos contextos sociais, e talvez, nem seja o mais importante na formação de uma identidade” (MARCUS, 1991, p.204). E sim, compara-la à noção contrastiva, tomando-a como a essência da identidade étnica, a saber que, quando uma pessoa ou grupo se assevera como tais, o faz como meio de diferenciação em relação a alguma outra pessoa ou grupo com que se defronta; é uma identidade que surge por oposição, implicando a afirmação do Nós diante dos Outros, jamais se afirmando isoladamente. O certo é que um membro de grupo indígena não invoca sua pertinência tribal a não ser quando posto em confronto com membros de outra etnia. O caráter em contraste desta identificação constitui assim um atributo essencial da identidade étnica (CARDOSO DE OLIVEIRA, 1976, 36 e 45). Logo as discussões foram adotadas devido à crença de que no interior dos grupos sociais que vivenciam fatos e situações específicas são constituídas opiniões informais abrangentes, que influenciam normativamente na consciência e no comportamento dos indivíduos. Portanto as técnicas de coleta de dados, possuem a função de complementar a observação, que focaliza mais fortemente o comportamento e as relações (MINAYO, 1994, p.129). E assim, através da abordagem das trajetórias dos núcleos familiares que compõem a coletividade estudada é apresentado como se constituiu tais grupos, influência dos agentes externos, lógica da adoção dos etnônimos e os múltiplos contextos de edificação da identidade étnica. A política indígena e suas relações são contempladas, expondo as disputas, o protagonismo dos sujeitos envolvidos e o processo de institucionalização da etnicidade e seus impactos na educação não indígena. Por fim, são apreciados impasses que se apresentaram no reconhecimento da indianidade e o acesso aos seus direitos, devido à localização no contexto urbano e o papel da escola regular não indígena oficialmente inserida na comunidade, revelando como se constituiu a categoria Terra de origem e os processos de territorialização empreendidos.

Autor : ADAUTO NETO FONSECA DUQUE

Modalidade : AT 10 - Sociodiversidades e comunidades tradicionais no semiárido

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:O trabalho discute patrimônio material e imaterial das comunidades quilombolas no Piauí. Espaço de militância social, mas carente de explicações sobre formação étnico-cultural, a identidade negra e a valorização do patrimônio histórico. Autoidentificadas como descendentes da escravidão esses espaços são férteis na produção de documentos históricos sobre viver no semiárido. A experiência de grupos que (re)significam vivências, para construir a sua sobrevivência, nos coloca diante do patrimônio material e imaterial como objeto da antropologia, história e educação. No Brasil, quilombo, é um conceito que foi sendo modificado ao longo da perspectiva sócio-política, econômica, cultural e no despertar das ações afirmativas dos governos recentes. O quilombo histórico realmente não está mais presente em qualquer parte do Brasil. Todavia, há uma memória de luta, de resistência e, principalmente, há uma necessidade incontestável de proteger os lugares da memória, da tradição e preservação de vivências enquanto descendentes dos escravos negros presentes da história do Brasil. No Piauí, os quilombolas discutem a religiosidade, as práticas de cura, saberes, modos de viver e construir como instrumentos de valorização étnica e fundante da identidade de sujeitos marcados pelos embates no passado escravista e na contemporaneidade representada pela luta pela terra e continuidade de seus modos de vivenciar o território ancestralmente ocupado. Assim, os quilombos estruturam suas vivências na legislação que garante fomento as manifestações culturais e no patrimônio edificado e imaterial. Ambos marcados pelo passado, mas dinâmicos no presente. Sobrevivendo as adversidades do clima e sociedade, mas ancorados na pujança cultural.

Autor : GEILVANNETTE ALVES BARRETO RODRIGUES

Modalidade : AT 10 - Sociodiversidades e comunidades tradicionais no semiárido

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:O presente artigo tem como propósito discutir as técnicas da História Oral utilizadas nas pesquisas com comunidades tradicionais, contemplando Revisão Bibliográfica, Entrevista Semiestruturada, Turnê Guiada e Diagnóstico Rápido Participativo (DRP), como alternativas que visam fortalecer o processo narrativo presente na história local contribuindo com a formação da identidade cultural de uma sociedade. Palavras-chave: Povos Tradicionais, Ecologia Humana, Estudo, Cultura e Identidade.

Autor : VANESSA FERNANDES SOARES

Modalidade : AT 10 - Sociodiversidades e comunidades tradicionais no semiárido

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:As ferramentas metodológicas utilizadas para a coleta de dados sobre a compreensão das relações entre pessoas e plantas que são comumente usadas por comunidades tradicionais, exigem o recrutamento dos sujeitos, para isso é necessária a submissão do projeto de pesquisa à Plataforma Brasil para análise ética. Após aprovação do projeto, é preciso selecionar a amostra, podendo-se utilizar a técnica “snow ball”, que consiste na seleção de informantes a partir de indicações dos residentes da comunidade e/ou dos entrevistados. Para participarem da pesquisa esses informantes concordarão com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. É necessário estabelecer o rapport com a comunidade, respeitando-se sua cultura e seus saberes. Em campo são aplicadas entrevistas semiestruturadas, o questionário socioeconômico é aplicado para conhecer variáveis como grau de escolaridade, faixa etária, dentre outras. O método etnográfico denominado lista livre consiste em listar conhecimentos sobre um domínio cultural, usado para identificar plantas medicinais citadas pelos informantes para determinada enfermidade, denominadas de mais salientes. A coleta das espécies de interesse é realizada em turnê guiada, realiza-se a preparação de exsicatas dessas espécies para identificação em herbários. Os pesquisadores podem registrar os dados em diários de campo ou gravar e usar o GPS para marcar os locais de coleta. Para avaliar a importância medicinal das espécies nas comunidades, utiliza-se o Discurso do Sujeito Coletivo e o Índice de Saliência, obtidos respectivamente com auxílio dos softwares Qualiquantsoft e Anthropac 4.0. Portanto, a finalidade dessa proposta foi mostrar como pode ser realizado um levantamento etnobotânico, mediante a sua importância para a conservação de espécies vegetais e constantes usos de plantas citadas nesses levantamentos na produção de fitoterápicos e herbicidas botânicos, sendo esses também uma das formas de registrar o conhecimento tradicional local, colaborando para a manutenção das tradições das comunidades ao longo de gerações.

Autor : SUELEN DE FÁTIMA SILVA SOUZA

Modalidade : AT 10 - Sociodiversidades e comunidades tradicionais no semiárido

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:A mulher quilombola se encontra dentro deste contexto de vulnerabilidade social e de sobrevivência, desempenhando seus importantes papeis e enfrentando os obstáculos de raça e gênero impostos pela sociedade. As dificuldades também se refletem no acesso aos serviços de saúde, bem como nas políticas públicas de saúde que atendam a esse grupo específico. A literatura sobre o uso de serviços de saúde pela população quilombola no Brasil é escassa e suas condições de saúde são pouco investigadas. Fazendo outro recorte, ainda menos explorados são os estudos voltados para a saúde das mulheres quilombolas, o que pode ser um reflexo das desigualdades enfrentadas pelas mulheres negras no Brasil. Nesse sentido, esta pesquisa teve como objetivo revisar as literatura existentes a fim de avaliar as publicações sobre a temática da saúde das mulheres em comunidades quilombolas. Objetivos específicos: Verificar quais os temas estão relacionados aos estudos em saúde da mulher descendentes quilombolas; Identificar os motivos pelos quais os estudos sobre a temática são escassos; Apresentar aos profissionais de saúde uma reflexão sobre as questões pertinentes às mulheres descendentes de quilombolas. Para tanto, usou-se como metodologia um estudo descritivo realizado por meio de uma revisão de literatura do tipo integrativa acerca dos trabalhos existentes a respeito da saúde da mulheres descendentes de quilombolas nas seguintes bases de dados on-line/portais de pesquisa: Periódicos Capes, Google acadêmico, SCIELO, e LILACS, entre os anos de 2007 e 2017. Foram selecionados 10 trabalhos que preencheram os critérios de inclusão e os objetivos da revisão. Os resultados demonstraram uma carência de literaturas que discutam a temática proposta, constituindo principalmente de publicações recentes (entre 2014 e 2016), e que privilegiam assuntos voltados a saúde reprodutiva feminina. Pertinente também foi constatar que a localização dos estudos tem uma maior concentração na região nordeste. É relevante relatar o trabalho de Viegas e Vargas (2016), o qual analisa os serviços básicos de saúde prestados às mulheres negras do povoado Castelo, MA. Neste estudo, observou-se uma preocupação em se questionar os serviços de saúde prestados às mulheres quilombolas, bem como a efetivação das políticas públicas de saúde existentes, voltadas a esta população, neste dito município. Pode-se concluir que a saúde da mulher quilombola ainda é um tema pouco privilegiado e as publicações existentes ainda apresentam um enfoque reducionista quanto as necessidades de saúde desta população, voltando-se, principalmente para seu aspecto reprodutivo, deixando a parte a integralidade da assistência. Este fato está, possivelmente, associado as discriminações de raça e gênero que esta população ainda enfrenta nas estruturas sociais, colocados a margem da sociedade, o que reflete no seu acesso a saúde, bem como na sua relevância como tema a ser debatido. É um campo de estudos, pesquisas e assistência reconhecido do ponto de vista da legitimidade política, que no entanto, ainda se encontra em construção e com dificuldades políticas e ideológicas, sendo necessária uma sensibilização dos gestores, instituições e profissionais de saúde, dentre outros envolvidos, para a prestação de ações conjuntas com vistas a integralidade, universalidade e equidade; bem como novos estudos que avancem nas discussões da temática.

Autor : ESTÊVÃO MARTINS PALITOT

Modalidade : AT 10 - Sociodiversidades e comunidades tradicionais no semiárido

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Desde a década de 1990 que o movimento indígena vem se organizando no estado do Ceará, com duas nítidas concentrações geográficas: o litoral e os sertões centro-ocidentais (Ibiapaba, Crateús e Inhamuns). O processo de reconhecimento desses povos indígenas e das terras que demandam tem sido lento e complexo. O Ceará é um dos estados brasileiros onde a demarcação de terras indígenas encontra-se mais prejudicada e as áreas do Sertão encontram-se com mais dificuldades do que as do litoral, pois nem contam com a mesma visibilidade que as terras do litoral possuem. A proposta dese trabalho é apresentar um mapeamento preliminar dessas situações territoriais e o atual estado dos processos de reconhecimento dessas etnias e de seus territórios a partir de informações coletadas na FUNAI, em trabalhos acadêmicos e em pesquisa de campo.

Autor : MAGNO FRANCISCO SÁTIRO CATÃO

Modalidade : AT 10 - Sociodiversidades e comunidades tradicionais no semiárido

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Nos últimos anos, tem se observado um inovador sistema normativo relativo aos direitos das comunidades indígenas, como o fórum permanente das Organizações das Nações Unidas (ONU) sobre questões indígenas em 2000, a adoção da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho sobre povos indígenas e tribais em 1989 e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. No âmbito do Sistema Interamericano, é possível perceber três vertentes concernentes aos direitos dos povos originários: o direito à vida digna, a proteção à propriedade comunal e o direito à consulta prévia. Recentemente, o Estado brasileiro foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, em decisão histórica, a proceder de forma imediata e efetiva à demarcação e delimitação das terras e ao direito de propriedade coletiva do Povo Xukuru, localizado em Pesqueira, Estado de Pernambuco. É importante salientar que o direito à propriedade comunal desvia-se do direito de propriedade clássico. Distintamente da sua acepção ocidental, a propriedade indígena nunca é absoluta ou exclusiva, porquanto existem limitações a ela de caráter comunitário, familiar e religioso. Algumas características como alienabilidade e direito exclusivo são, portanto, estranhas à cosmovisão indígena. É possível perceber que a Corte Interamericana de Direitos Humanos, desde julgados anteriores – sendo o pioneiro o Caso Comunidade Mayagna (Sumo) Awas Tigni vs. Nicarágua -, vem promovendo diálogos interculturais com as comunidades originárias no tocante ao direito de propriedade comunal, inserindo-se nesse âmbito o Caso do Povo Xukuru vs. Brasil. Os diálogos entre ordens jurídicas distintas, sobretudo entre Cortes Internacionais e aquelas pertencentes aos povos indígenas, fazem parte de um novo fenômeno que merece ser estudado à luz do transconstitucionalismo. Assim, em um primeiro momento teremos como objetivo abordar os intercâmbios interculturais entre a Corte e os povos originários à luz dos sistemas transconstitucionais desenvolvidos por Marcelo Neves. Em seguida, traçaremos a discussão mais que necessária sobre as diferenças entre o conceito ocidental de propriedade e aquele compreendido pelos povos indígenas a partir de sua cosmovisão, também à luz da interculturalidade, como proposto por Raquel Yrigoyen Fajardo, travando diálogos construtivos entre diferentes sistemas socioculturais. Nesse contexto, adota-se uma perspectiva norteada pelo pluralismo jurídico, a partir da concepção de que diferentes grupos, de maneira paralela ao poder Estatal, desenvolvem formas próprias de organização social a partir da defesa de princípios valorativos comuns, divergentes da cultura jurídica oficialmente estabelecida. Importam, nesse diapasão, as contribuições de Antonio Carlos Wolkmer sobre os novos sujeitos coletivos, dos quais o movimento indígena, que ganhou força no século XX, é importante exemplo. Ver-se-á, assim, como tais grupos não apenas possuem sistemas jurídicos e valorativos próprios, mas são, também, produtores de novos direitos, a ser considerados na perspectiva transconstitucionalista intercultural. Por fim, o último capítulo versará sobre as características do Povo Xukuru, a inserção do seu caso específico nas discussões sobre direito à propriedade comunal e a sua luta pela demarcação de suas terras. A hipótese aqui aventada é a de que o Caso do Povo Xukuru obedece a um novo padrão da Corte Interamericana de Direitos Humanos em aceitar, em sede de seus julgamentos, entendimentos inovadores e alheios à estrutura clássica dos direitos humanos. As comunidades originárias, além disso, passam a atuar não apenas como receptoras de direitos, mas como protagonistas nessa mudança conceitual - protagonismo esse que chega às Cortes Internacionais. O trabalho utiliza-se de movimentos de pesquisa exploratória, a partir da qual artigos de periódicos, livros e demais bibliografias foram consultados para, ao fim, auferir as conclusões necessárias dedutivamente.

Autor : ALEXIA DE MESQUITA CHAVES

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:No início da década de 90, o cenário cultural de Recife - PE recebeu o movimento que misturava regionalidades com elementos e ritmos da cultura pop global. Assim, é da junção do maracatu com o rock n’ roll que nasce o Manguebeat. O movimento surge com a música mas se torna cultural por extensão, pois sua forma de protesto político de contraste também era visual, com roupas e acessórios que uniam duas realidades aparentemente distantes. A música é sempre historicamente situada e socialmente condicionada, associada às diferentes fontes extra musicais que são a ocasião e o fundamento. (SUPICIC, 1957, p.19). O presente trabalho tem por finalidade realizar uma análise político-sociológica a respeito do movimento cultural Manguebeat, suas influências e impressões deixadas ao longo dos anos nas regiões nordestinas. O movimento retoma uma ideia de quebra e reconstrução ideológica já utilizada, mas o faz exclusivamente voltado para a população nordestina. Aliás essa liberdade de incorporação e de modificação dos gêneros de música é talvez um traço típico da cultura popular do Nordeste. É impossível pensar em uma uniformização ou em uma categorização musical quando analisamos os grupos que o compõem. (TESSER, 2007, p. 76). Estudaremos a hibridização como construtor identitário. A metodologia adotada para o presente trabalho é de cunho bibliográfico, visto que pesquisa nenhuma parte hoje da estaca zero. A citação das principais conclusões a que outros autores chegaram permite salientar a contribuição da pesquisa realizada, demonstrar contradições ou reafirmar comportamentos e atitudes. Tanto a confirmação, em dada comunidade, de resultados obtidos em outra sociedade quanto a enumeração das discrepâncias são de grande importância. (MARCONI; LAKATOS; 2012, p. 114-115). O levantamento da bibliografia já existente sobre o Manguebeat e as relacionadas com a linha de raciocínio a ser estabelecida no decorrer do trabalho contribuirão para o estudo proposto. A pesquisa com sondagem de conteúdo envolve análise das mensagens, dos enunciados dos discursos e da busca do significado dessas mensagens, as linguagens, a expressão verbal, os enunciados, são vistos como indicadores significativos, indispensáveis para a compreensão dos problemas ligados às práticas humanas e a seus componentes psicossociais. (SEVERINO, 2007). A partir das questões aqui levantadas, pesquisadas e respondidas, será realizada uma reflexão referente à temática abordada e o referencial teórico consultado, estabelecendo relações entre ambos, sejam elas concordantes ou divergentes. O manguebeat veio como a versão prática dos estudos sobre a hibridização cultural, que, se caracterizaria de tal forma quando processos socioculturais nos quais estruturas ou práticas discretas, que existiam de forma separada, se combinam para gerar novas estruturas, objetos e práticas (CANCLINI, 2011; p. 19). Ou seja, o Manguebeat pode ser considerado como um experimento artístico que deu certo, tão certo que fundou o principal movimento cultural da década de 90, tendo como seu mais ilustre representante o grupo Nação Zumbi, capitaneado por Chico Science, que fez dessa, uma união inicialmente dionisíaca aos ouvidos mas, que se torna apolínea conforme os produtos culturais vão sendo absorvidos. Foi a mistura cultural improvável que marcou o final do século passado. A partir das reflexões feitas aqui a respeito da importância do movimento em questão para o Brasil, país de miscigenação e multiculturalidade, espera-se que seja possível perceber o contexto político em que surgiu o movimento e o significado do hibridismo que foi utilizado por eles também como forma de denúncia e protesto. O Manguebeat articulou a conjuntura das manifestações culturais recifenses e décadas depois ainda a influencia. O movimento colocou em xeque as redes de informação massificadas e atribuiu um sentido público à mídia ao apontá-la como um meio estratégico para a transformação social. (GAMEIRO, 2008, p. 11).

Autor : MARCELA PESSOA CAVALCANTI

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:As imagens presentes em livros de história podem ser utilizadas para estimular os alunos a compreenderem as representações de patrimônios que expressaram determinados gostos, valores e tradições, no entanto, o livro não permite a relação de experiência, vivencia e identidade. A Educação Patrimonial pode ser percebida como um eixo interdisciplinar, pois, além de ser um tema intrigante, que dá margem para várias abordagens, é promissor para auxiliar na formação e exercício da cidadania e identidade cultural (SILVA, et ali 2013). A cidade de Campina Grande é rica em Patrimônio Histórico Material e Imaterial, chamado de “lugares de memória” (NORA,1993), parte dele construído como fruto do desenvolvimento econômico durante a era do ouro branco (“algodão”). Ao andarmos pelo centro da cidade, é visível a Art’Decor, que hoje enriquece o seu centro com suas formas escalonadas, aerodinâmicas, presença de geometria na fachada e cores vibrantes (QUEIROZ, 2010) são características que geram uma relação de esplendor na cidade. Esse trabalho tem por objetivo utilizar a riqueza arquitetônica do município de Campina Grande - PB como prática do ensino de história na sala de aula da turma do 6º ano B da Escola Municipal de Ensino Fundamental Tiradentes de tal modo a auxiliar na formação e exercício de cidadania a identidade cultural. As atividades de “práticas educativas” (VIDAL, 2005) foram desenvolvidas na sala do 6°ano B na escola Municipal Tiradentes, composta por 25 alunos, dividido em três etapas: a primeira foi a realização de aulas teóricas trabalhando os conceitos de patrimônio histórico arquitetônico, as características da Art´Decor, a história do desenvolvimento econômico da cidade e as reformas urbanistas. A segunda foi o desenvolvimento de uma oficina de pintura trabalhando a sensibilidade do olhar dos alunos na composição de telas sobre prédios do centro da cidade que possuem o estilo arquitetônico. A terceira foi visitas técnicas ao museu digital de Campina Grande e ao Museu do Algodão que trouxeram para os alunos a oportunidade de unirem a educação patrimonial, a relação de identidade ao visitarem esses lugares de memória. Espera-se que as práticas educativas exercidas com os alunos resultem no entendimento da educação patrimonial como algo que recebemos do passado, vivenciando no presente e transmitindo as gerações futuras, edificando um pertencimento dos indivíduos a sua cidade, sentimento esse, que acaba por assegurar uma identidade cultural. Acredita-se também, que as visitas aos museus e a oficina de pintura tragam aos alunos a capacidade de se verem como atores históricos e consequentemente, como agentes sociais de sua própria história. Sendo o patrimônio material um fator abundante que traz consigo uma imensa carga de história, ele emana um sentimento aos indivíduos que assegura uma respectiva identidade cultural e obtém um valioso conhecimento acadêmico para o ensino, essa prática de educativa no ensino de história torna mais produtiva a transmissão de informações, além de dar-lhes um afeto de pertencimento a história de Campina Grande tratando-os como atuantes na história.

Autor : MÁRCIA FERNANDA MIRANDA DE SOUSA

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:A opala é uma pedra conhecida e apreciada desde a Antiguidade, sendo mencionada em referências romanas já no século I A.C. Ela pode ser usada na confecção de jóias por processos artesanais como também por reconhecidos designers, além de peças de artesanato. O Brasil responde por 1/3 da produção mundial de opala, sendo que no município de Pedro II, localizado ao norte do estado do Piauí, se encontram as únicas minas de alta qualidade. Em Pedro II, a extração da opala é uma atividade econômica praticada tradicionalmente no garimpo Boi Morto, por garimpeiros autônomos em meados da década de 1960 e por empresas privadas, nos anos 1970, quando da criação da empresa EMIBRA (Empresa de Mineração Brasil Norte Nordeste Ltda) e, posteriormente, pela empresa Mineração Cristã que adquiriu seu patrimônio. Durante a década de 1960, a garimpagem fez florescer pequenas indústrias de lapidação e artesanato mineral. Destaca-se que a extração da opala em Pedro II movimentou mais de R$ 3 milhões na economia do município em 2015, parte desse montante proveniente da produção de jóias. As jóias confeccionadas a partir da gema permitem a combinação com outros materiais, como o ouro, prata e tucum. Os designers desenvolvem jóias originais, criando uma identidade artística em forma de colares, pingentes, brincos, anéis etc. Neste contexto, o objetivo desta pesquisa é verificar a relação entre artesanato e design, a partir da produção de jóias em Pedro II e sua inserção nos mercados nacional e internacional. Esta pesquisa de cunho qualitativo e exploratória foi realizada a partir de revisão bibliográfica, análise documental, trabalho de campo e entrevistas. Os resultados apontam que o artesanato expressa a cultura, sua sabedoria, criatividade, a existência do homem local, sua história, crenças e valores. Além disso, registra-se que o designer tem exercido forte influência na produção das peças artesanais, guiada pela qualidade estética e no estabelecimento de valor de mercado. Assim, depreende-se que o artesanato tem influenciado no estabelecimento do design quando se produz peças de valor estético e agregado à identidade brasileira. Essa relação gera progresso em vários setores da sociedade, especialmente na qualidade de vida da população. Cultura, artesanato e design são fatores sociais importantes e significativos porque promovem o trabalho associativo, sustentabilidade social, cultural, econômica e ambiental, bem como fortalecem a cidadania, a auto-estima, e a geração de emprego e renda. Conclui-se que a opala de Pedro II, recurso mineral não renovável, faz parte de uma gama de pedras brasileiras que ratificam o entendimento de que a pluralidade da cultura favorece o desenvolvimento da arte popular, do artesanato e do design de jóias: rico em originalidade. Sua influência é visível no desenvolvimento da região e na melhoria da qualidade de vida da população. Todavia, a pesquisa aponta a necessidade de apoio e incentivos governamentais, por intermédio de políticas públicas que possam fortalecer o desenvolvimento da atividade e a ampliação da comercialização das peças para o mercado internacional. Sugere-se a realização de outras pesquisas que possam verificar a influência da opala no desenvolvimento do turismo em Pedro II sem a perda da identidade cultural, territorial e social; e a percepção dos comerciantes e da população em relação ao desenvolvimento da região, a partir da produção e comercialização da opala.

Autor : EDMILSON DAS CHAGAS DE LIRA FILHO

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Introdução A nova abordagem denominada de Desenvolvimento Endógeno considera o desenvolvimento como um processo territorial, e não como um processo funcional, e é baseado metodologicamente em estudos de caso, em oposição às análises setoriais, e considera que as políticas de desenvolvimento são mais eficientes quando definidas por agentes locais, e não mais definidas por agentes administrativos centrais (HOPPERS, 2002; HOUNTONDJI, 2002; VÁZQUEZ BARQUERO, 2007; FERGUÉNE & HSAINI, 1998). O Desenvolvimento endógeno é principalmente baseado em estratégias, instituições, valores e recursos locais. Por conseguinte, as prioridades, necessidades e critérios de desenvolvimento diferem em cada comunidade. Consideramos que a produção de confecções no semiárido nordestino é também um caso típico de Desenvolvimento Endógeno, já que foi uma solução de desenvolvimento encontrada pelos agentes sociais locais. Pretendemos analisar o caso do desenvolvimento da produção de confecções no semiárido através da abordagem do desenvolvimento endógeno e da metodologia da história oral de vida. Objetivos Temos como objetivos desta pesquisa: • Mapear, no semiárido paraibano, a produção domiciliar de confecção como estratégia de renda para garantir a reprodução social (Marx, 1950) da unidade familiar; • Fazer um levantamento do território socioeconômico incorporado pela atividade de produção de confecção como alternativa de renda familiar; • Elaborar um diagnóstico da atividade como estratégia de desenvolvimento endógeno regional. Metodologia De acordo com Bom Meihy (2005), a história oral é um recurso moderno usado na elaboração de documentos referentes à experiência social de pessoas e de grupos. A história oral de vida corresponde à narrativa do conjunto da experiência de vida de uma pessoa. Paul Thompson (2000), sociólogo e historiador social britânico, utiliza esta reflexão como método para sua pesquisa científica - o sujeito social, o colaborador, tem mais liberdade para narrar sua experiência pessoal. Resultados “Quando eu saí do sítio eu tinha uns 6, 7 anos...” “Meus avós, eles viviam no sítio, né? Já faz um tempo que eu moro aqui na rua, mas eles vivia lá sítio Soares, eu também vivi lá né? Assim, eu não lembro muito porque eu sai de lá muito nova, ai eu fui pro Rio, porque meu pai foi trabalhar lá porque aqui era difícil, ai levou eu e meus irmãos. E lá no sítio hoje ninguém quer ir (risos), porque além de ser longe, o caminho é muito ruim pra chegar lá, e quando chega lá, assim, não tem nada, é só a casa veia lá... Assim eu já trabalhei ali na Rutra (loja de roupas da região), isso com 17 anos, fazendo bolsa... Aí eu trabalhei em Toritama (município do estado do Pernambuco - um dos mais importantes polos comerciais de moda do agreste pernambucano), fazendo roupa, eu saí de casa e fui morar lá com algumas amigas, isso com 18 anos, aí fui morar lá, trabalhei um tempo lá costurando, e depois quando eu vim pra cá, eu me casei e comecei a trabalhar lá na rua, lá em Leila (outra colaboradora que trabalha na produção de confecção no município de Queimadas), aí trabalhei uns quatro anos lá com ela, aí depois que eu saí de lá, eu fiquei em casa trabalhando pra mim. (Lídia Pereira Rodrigues, Queimadas, PB, 2017). Figura - Localização geográfica do município de Queimadas – PB. Fonte: Rodriguez (2002, modificado por Tavares, 2017). Considerações finais A instituição e desenvolvimento desta produção regional de confecções foram processos relacionais associados às práticas socioeconômicas emblemáticas no semiárido – as feiras livres; ao trabalho familiar na unidade produtiva domiciliar, como práticas reprodutivas da cultura agropastoril transplantada para a confecção e; do costume da migração como estratégia para garantir a reprodução social (Marx, 1950).

Autor : ROMERO DE ALBUQUERQUE MARANHÃO

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:A relação entre arte e ciência pode se concretizar de diversas formas, dentre elas, através da produção musical. A música se apresenta como uma das manifestações culturais mais carregadas de subjetividade. Sendo assim, ela expressa e, ao mesmo tempo, molda, as concepções de mundo das pessoas, podendo influenciar nas diversas formas de relação que elas estabelecem com seu meio social e natural. A música tem o poder de expressar os sentimentos, revelar memórias, conhecer as representações sociais, o contexto político e o imaginário popular, além da capacidade de dialogar com a história de um povo. Neste sentido, as músicas cantadas por Luiz Gonzaga merecem destaque, pois tratam de temas tipicamente do nordeste brasileiro, mais especificamente do sertão, dentre os quais: a fauna, flora, geografia, política, história, cultura, economia e ecologia. Assim, o objetivo deste trabalho foi compreender os significados dos elementos ecológicos presentes nas músicas de Luiz Gonzaga, a fim de entender a relação homem‐natureza vivenciada pelo sertanejo do Nordeste. Para a compreensão e análise da questão ecológica, a partir das músicas do Rei do Baião, foram selecionadas 20 músicas. As letras foram inseridas num banco de dados e analisadas pela técnica de análise de conteúdo. Os resultados apontam que Luiz Gonzaga utilizou suas músicas como um veículo de sensibilização sobre a problemática ambiental e como propagação de um saber ambiental ao criar representações sobre o sertão. Com suas canções e apresentações, Gonzaga conduz o nordestino e todos aqueles que admiram suas músicas a uma visualização da terra, da cultura e da natureza, ao falar dos cangaceiros, da caatinga, dos mandacarus, carcarás e gaviões, do solo rachado pela seca, da asa branca e da preocupação com o meio ambiente deteriorado pela ação humana. Ao cantar as alegrias, as dores e os amores de seu povo, foi a voz dos que não tinham voz. Por intermédio de suas músicas Luiz Gonzaga passou a ser efetivamente reconhecido no que tange à cultura e tradições, as quais enfocam ainda aspectos pertinentes à geografia, à história e à ecologia, pois as bases da evolução histórica do povo nordestino, a fauna, a flora, as secas, coisas do cotidiano nordestino, enfim, uma gama variada de assuntos foi abordada em sua arte, marcando o imaginário popular e a concretude das realizações. Ao registrar sua preocupação com a natureza agredida e ameaçada, Gonzaga foi um sujeito ecológico, amparado, tão somente por seu amor a sua gente e a sua terra; pela simplicidade de sua sabedoria em relação à vida; tornando-se assim, alguém que cantou a natureza e a vida. Desta forma, Gonzaga não apenas descobre o Nordeste, ele é um dos mais importantes inventores da região, participando objetivamente da construção da própria idéia da região, enquanto território de cultura. O nordeste de Luiz Gonzaga é o seu sertão, é a sua vida, seu sentimento, suas lembranças, suas memórias, suas experiências, suas vivências, suas imaginações, suas paixões...

Autor : ALBEYSA CARLA GONÇALVES PINHEIRO

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Este trabalho se volta para a necessidade de compreensão das consequências econômicas, sociais e culturais do avanço do agronegócio no Vale do Açu – RN, para pequenos e médios proprietários, camponeses e agricultores familiares que, impedidos por vários fatores de permanecer em suas terras, tiveram que se desfazer de suas propriedades, através da venda, sendo essas terras muitas vezes compradas por grandes empresas do agronegócio, tanto nacionais como multinacionais. O processo de concentração fundiária ocasionou amplas mudanças na realidade regional, intensificadas após a construção da barragem Armando Ribeiro Gonçalves, no leito do rio Piranhas-Açu, que banha a região do vale do Açu. O objetivo da pesquisa foi produzir conhecimento a respeito de uma realidade que atingiu camponeses, pequenos proprietários e agricultores familiares, cuja voz foi silenciada e que têm perdido visibilidade. Os resultados serão utilizados para a construção de um acervo histórico local, que consistirá em importante fonte da História local e também para um mais adequado entendimento das configurações do semiárido após o avanço do agronegócio, tendo um destaque na análise crítica sobre a situação contemporânea de grupos afetados. A metodologia se baseou em pesquisa bibliográfica, para obtenção de referências acerca das questões que contribuíram para a chegada do agronegócio na região do vale do Açu; visita de campo, na qual foi inicialmente identificado e logo após entrevistados, aqueles que venderam suas terras, tentando compreender os motivos que os levaram tomar essa decisão, como também quais consequências essa ação levou. As entrevistas em campo foram de forma semiestruturadas, sendo obtida uma análise da atual realidade desses agentes sociais, sendo a partir de diálogos, que nos permitiram analisar a relação desses com a venda das terras e assim dá voz a esse grupo. Com a chegada dessas empresas, muitos pequenos e médios produtores donos de terras na região, se viram inferiorizados e sobre pressão das grandes empresas. Foram relatados, motivos principalmente econômicos, banhados de falsas promessa sobre uma vida melhor, que os fizeram “desistir” das suas propriedades. Diante das pesquisas, a respeito da vinda das grandes empresas do agronegócio ao Vale do Açu, se foi notório as mudanças na configuração das cidades, tendo pessoas que passaram de proprietários de terras, a empregados rurais, havendo uma economia regional movida em função dessas empresas, outra importante questão entendida foi o grande impacto ambiental, sendo essa refletida na saúde pública, na produtividade de propriedades que são próximas as fazendas das grandes empresas, além da fauna local. Tendo o objetivo de compreender a realidade local e a partir disso produzir uma pesquisa historiográfica, sendo assim entendidas as modificações históricas e sociais a partir de eventos que contribuíram para a entrada do agronegócio no vale do Açu. Com as pesquisas realizadas, obtivemos produções historiográficas a respeito da realidade local, trazendo assim história não só para o âmbito nacional, com para dentro do semiárido e para a realidade da região. Outro importante resultado, é a oportunidade de visibilizar grupos sociais, negligenciados, além da priorização do senso critico pela população do vale do Açu.

Autor : GABRIEL PEREIRA DE OLIVEIRA

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:O tema do meio ambiente vem-se tornando cada vez mais importante no mundo contemporâneo. Em uma realidade marcada por agravamento da poluição, desmatamentos, extinções de espécies da fauna e flora, aquecimento global, sentido de modo muito intenso em ambientes como o do semiárido, não é de estranhar que os receios em torno de pautas como a das mudanças climáticas ganhem mais espaço em diversos grupos sociais. Essas questões são fundamentais à manutenção da vida no planeta e demandam urgentemente a renovação de práticas sociais, bem como a reformulação das políticas públicas. Porém, o debate sobre esse assunto não é de todo uma novidade, mas tem uma longa história. Neste trabalho, tenho o objetivo de analisar as discussões sobre mudanças climáticas e sua relação com a arborização feitas por Thomaz Pompeu de Sousa Brasil nos sertões semiáridos do Brasil entre 1846 e 1859. Nesse período, o referido estudioso da província do Ceará publicou várias reflexões sobre o clima com base na observação de paisagens e diálogos tanto com grandes nomes do mundo científico do Brasil e da Europa quanto com habitantes dos sertões. As bases metodológicas deste trabalho se fundamentam em diálogos com parâmetros da história das ciências e da História Ambiental, sob a ideia de pensar as interações e redes situadas historicamente entre seres humanos e outros elementos do mundo biofísico. Nesse sentido, examinarei os referidos estudos sobre o clima, mais especificamente sobre a seca, que Thomaz Pompeu divulgou em periódicos e livros. Diante dos sertões áridos do Brasil, essas leituras das dinâmicas atmosféricas foram ferramenta de grande importância para as intenções do estudioso em obter prestígio político sob o ideal de progresso. Toda essa reflexão permite repensarmos, por exemplo, a complexidade e historicidade da questão das mudanças climáticas, de modo a assumirmos posturas mais críticas nos debates atuais. Além disso, ao investigar os estudos dos meados do século XIX, podemos também entender a construção do Império sob novos prismas, como o da ecologia, e repensar marcos históricos, entendendo a importância da seca em momentos anteriores ao que à grande intempérie de 1877. Aliás, se hoje há uma grande preocupação em torno de assuntos como as mudanças climáticas, em épocas como o século XIX esse tema foi motivo não somente de medo, mas também constituiu uma meta científica da maior importância a muitos estudiosos de várias partes do planeta, inclusive para Thomaz Pompeu, nos sertões do Brasil. Em suma, cabe destacar quão importante é pensar e construir os debates atuais sobre o meio ambiente não somente desde os parâmetros das chamadas “ciências da natureza”, mas também com os aportes do campo da historiografia. Afinal, pensar historicamente a questão ecológica é essencial para aprofundar as discussões hoje, compreendendo como esse tema vem-se fazendo ao longo do tempo.

Autor : IRENILDA MARIA DA SILVA

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:O artigo parte de um Projeto de Pesquisa no Programa de Pós-Graduação de Mestrado Educação, Cultura e Territórios Semiárido – PPGESA – UNEB –DCH III, Juazeiro-BA, que propõe uma discussão sobre a romaria na gruta de Patamuté, uma manifestação cultural centenária, realizada em um distrito da cidade de Curaçá na Bahia, território Semiárido. Tem como proposta investigar se/como essa manifestação é trabalhada no ambiente escolar, buscando identificar quais as memórias e representações sociais que os alunos possuem ou não dessa manifestação. A pesquisa intenta realizar a análise no Colégio Municipal Professor Ivo Braga, visto que é a instituição com maior tempo de atividades educativas no município, para tanto propomos também trazer para pesquisa a valorização desse Patrimônio Cultural, dessa maneira propondo o estudo da Educação Patrimonial, sendo essa um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado em patrimônio cultural. Essa ainda visa não somente conhecimento, mas enriquecimento dos estudantes de forma individual e também coletiva. Dessa forma escolheu-se trabalhar com a metodologia de abordagem qualitativa com a perspectiva de um refinamento metodológico em que serão consideradas as manifestações ou expressões humanas e sociais. Também com a Narrativas na Educação, visto que ela permite uma tomada reflexiva, identificando fatos que foram, realmente, constitutivos da própria formação. Partilhar histórias de vida permite a quem conta a sua história, refletir e avaliar um percurso compreendendo o sentido do mesmo entendendo as nuanças desse caminho percorrido e reaprendendo com ele. Uma outra abordagem é utilização da memória, pois com sua preservação pode-se ir além de resgatar o passado, mas compreender as diferenças e reconhecer também os limites da experiência. É necessário ter referenciais fortes que realmente possam construir o momento presente e planejar o futuro, renovar os vínculos, refletindo sobre a história, preservando essa história como também a memória. Com a utilização de entrevistas semiestruturadas, a pesquisa intenta ouvir as memórias dos alunos, construir elos de para a preservação da manifestação e perceber os diferentes letramentos que podem surgir em torno da temática em questão. Para tanto, também é necessário identificar se na escola a Educação Contextualizada é desenvolvida, ouvindo os alunos e investigando os seus letramentos, além dos aspectos culturais, sendo possível acontecer interações para um maior enriquecimento de conhecimentos e dos diferentes saberes, sendo partilhados entre todos. A investigação ainda se encontra no início, porém é possível vislumbrar que o trabalho realizado trará à tona as lembranças dos sujeitos cria uma nova forma de visualizar a manifestação, como patrimônio da cidade, que deve ser preservado para que as novas gerações tenham acesso a esse bem cultural. Além disso, o munícipio apresenta diversas manifestações culturais, porém, sem a manutenção dessas através de documentos, registros, trabalhos de preservação, principalmente na escola, a qual se espera que seja um dos espaços responsáveis pela formação dos indivíduos, tais manifestações e tradições culturais podem desaparecer e as futuras gerações podem nunca chegar a ter acesso a essas. Como referências, utilizamos Horta (1999), que traz a Educação Patrimonial com o objetivo de proporcionar ao indivíduo, além do conhecimento que esse se aproprie e também se empodere, assim seja capaz também de valorizar sua herança cultural. Ainda propondo reflexão com Santos (2008), Campos (2016, Bosi (1994), Reis (2011), Moraes (2000), Medina (2004), buscará rever o espaço do letramento na vivência com a romaria à gruta de Patamuté.

Autor : WESLEY GUILHERME IDELFONCIO DE VASCONCELOS

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Genericamente, a existência de oligarquias familiares e políticas atualmente seria impensada. Todavia, estes entes de influência existem, evidenciando sua força em diversos momentos, especialmente, durante os pleitos eleitorais. Em sua maioria, estes grupos de interesse e influência utilizam-se do poder da mídia, apoderando-se de maneira monopolista de meios comunicação, incutindo, nestes, seus ideais sobre diversos temas. Entretanto, é cabível observar que alguns grupos se excetuam, como, por exemplo, a família Ferreira Gomes, no Ceará, decisivos para os rumos políticos do estado, situam-se fora do escopo dos veículos comunicacionais, não inserindo-se como detentores de nenhum veículo midiático. O presente trabalho objetiva realizar uma análise da política cearense aliada à bibliografias existentes sobre política, sociologia, história e antropologia, centralizadas no semiárido, buscando responder a questão norteadora da pesquisa: Como a família Ferreira Gomes sustenta seu peso político sem deter veículos midiáticos e por que o domínio midiático de outros candidatos não lhes confere o mesmo poder de influência? A partir do apanhado bibliográfico, objetiva-se também realizar um paralelo com outras oligarquias, particularmente nordestinas, e checar se o mesmo fenômeno acontece, visto que a simples associação ao sobrenome Ferreira Gomes confere a vitória aos candidatos por eles apoiados. A metodologia a ser utilizada será a bibliográfica e a de análise de conteúdo, onde serão consultadas as bibliografias existentes sobre oligarquias políticas, história do Ceará, registros sobre a família Ferreira Gomes e os que analisam a influência da mídia na formação de convicções políticas. A pesquisa de cunho bibliográfico se caracteriza como aquela realizada a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos impressos, como livros, artigos, teses etc. Utiliza-se de dados ou de categorias teóricas já trabalhadas por outros pesquisadores e devidamente registrados. Os textos tornam-se fontes dos temas a serem pesquisados. O pesquisador trabalha a partir das contribuições dos autores dos estudos analíticos constantes dos textos. (SEVERINO, 2007) A partir da análise, propõe-se uma discussão acerca do crescimento do poder político, da relação dos membros mais ilustres da família com o povo, e os impactos dos governos para a popularidade dos políticos. Nesta linha, da não jurisdição de veículos midiáticos, indica-se a consubstancialização de um poder simbólico, calcado e construído dentro da ocupação de cargos públicos, inicialmente na cidade de Sobral-CE, seu berço político, acompanhado, pouco tempo depois, da eleição de membros do grupo para a Assembléia Legislativa Cearense, além da eleição de Ciro Gomes para prefeitura de Fortaleza e posteriormente para o Governo do estado. Esse poder se reflete até mesmo na política atual, pois o Ceará foi o único estado que não teve PT ou PSL em primeiro lugar, foi justamente um Ferreira Gomes que ocupou essa posição. Nas eleições estaduais, o Senador mais votado da história política cearense foi outro membro da família, com uma diferença de quase 1 milhão de votos para o segundo colocado, outro recorde foi na eleição para o governo do estado, onde o candidato apoiado pela família conseguiu quase 80% dos votos. A partir do que foi discutido, espera-se, com esse trabalho, contribuir para a produção de conhecimento científico, político, histórico e antropológico, de modo que o trabalho sirva para que outros grupos políticos sejam analisados e paralelos sejam traçados. Pesquisas nesse viés e com esse objeto de análise, servem para semear uma linha de estudos que contribui para a história política de um lugar, dentre tantos outros, que compõe o semiárido brasileiro, com suas facetas singulares que, juntamente com outras singularidades, podem, dessa forma estruturar um conhecimento amplo sobre a região nordeste, seus pontos fortes, presentes em todos os estados.

Autor : MARCELO VIEIRA DA NÓBREGA

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Incorre-se em equívoco irreparável, durante a pesquisa etnográfica, desconhecer a importância da imersão dos sujeitos apologistas e cantador de viola, este quando em performance, no mundo no qual ambos estão inseridos. Aqui, de acordo com a perspectiva teórica de Negri e Hardt (2005), não defendemos a redução das formas poéticas – dentre as quais o improviso de viola faz parte – meramente a condições socioeconômicas, políticas ou sociais, entretanto reconhecemos que a literatura, enquanto produção linguística e estética, refrata tal universo, daí a razão de apreendermos as subjetividades em cascata que ocorrem entre os sujeitos cantador de viola, em performance, e apologistas (plateia) no interior desse mundo de relações. Este trabalho traz como escopo central de análise um relato de experiência vivenciado a partir da nossa imersão, enquanto pesquisador, em dois momentos distintos de observação e gravação, em mídia eletrônica, de cantoria de viola: o primeiro deles, cantoria na modalidade pé-de-parede, realizada na cidade de Campina Grande (PB), no dia 04/01/2108, entre os cantadores Raimundo Caetano (paraibano, 63 anos) e Felipe Pereira (rio-grandense, 23 anos); e o segundo, um baião de sextilhas, defendido pelos cantadores Manoel Messias (rio-grandense, 55 anos) e José Albino (rio-grandense, 20 anos), gravado em festival de cantadores, realizado na cidade de Buenos Aires (PE), no dia 18/08/2018. Em ambas as performances, três questões emergiram: 1ª) a efervescência do período pré-eleitoral para as eleições de 2018; 2ª) as incertezas jurídicas da possibilidade de candidatura do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva à Presidência da República para este pleito; e 3ª) a repercussão da (i)legitimidade da prisão deste político, preso desde abril de 2018, pelo TRF (Tribunal Regional Federal) – 4ª Região – sediado no Paraná. Nesta perspectiva, como objetivo fundante nos propomos a analisar de que forma, e em que níveis, tais fenômenos puderam interferir nas performances (através de sextilhas e décimas) dos repentistas, bem como nas reações dos apologistas presentes. Com efeito, à luz do que prevê um olhar, necessariamente subjetivo para a pesquisa de base etnográfica, neste relato de experiência, nos propomos, enquanto pesquisador, de acordo com Geertz, a nos adentrarmos na chamada descrição densa, ‘casca dura’ da existência humana de seus colaboradores, marca primeira de qualquer empreendimento etnográfico de qualidade. Para as concepções de memória e suas ressignificações lançamos mão dos estudos Changeux (1974), Le Goff (2002), Zumthor (2010) e Barthes (1971), para quem o comportamento narrativo tem uma função social que transcende a mera fixação mecânica da informação. Entendendo a memória como “não só ordenação de vestígios, mas releituras destes” (CHANGEUX 1974, p. 35), “reconstrução regenerativa” (LE GOFF, 2002, p. 430) e “onde tudo isso sobrevive” (HAVELOCK (1996, p. 274). Os dados avaliados nos revelaram que, enquanto atividade dialógica e inserida em contextos sociais e fenomenológicos complexos, a cantoria na contemporaneidade, refrata, se ressignifica e reproduz impressões de mundos os mais diversos. A força do improviso, em um universo sócio-político e econômico cada vez mais complexo, controverso e ameaçador – sobretudo no Nordeste brasileiro – exige do cantador cada vez poder de atualização e criatividade.

Autor : SHEYLLA MARIA LIMA DE SOUSA FURTADO

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:1. Introdução A mestiçagem da população é fato notório e explicito no Brasil. Desde a chegada dos europeus ao país, a mistura de raças acontece, criando uma identidade nacional singular e um povo majoritariamente mestiço, miscigenado na aparência e na essência popular. O Nordeste brasileiro não é exceção, os nascidos nessa região são resultado da mistura de índios, negros e europeus em um território empobrecido, castigado pela seca, essa mistura étnica e geográfica resultou em uma raça específica: o nordestino. Um povo sofrido, castigado, ameaçado, mas sempre alegre, vivido, acolhedor e feliz, quanto mais nordestino é, mais orgulhoso de ser (Bessa, 2018). 2. Objetivos Realizar análise acerca da discriminação sofrida pelos nordestinos nos meios tecnológicos de comunicação por sua cultura, raça, cor, dentre outras possibilidades, enfatizando as questões de segregação geográfica promovida por pessoas de outras regiões e também pelo preconceito difundido dentre os próprios nordestinos, chamando a atenção para uma falta de identificação entre grupos que por algum motivo tenham divergências socioeconômicas, culturais ou ideológicas, mesmo que todos tenham igualdade de direitos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (art.5°, CF), sendo merecedores de respeito e dignidade, para construção de relações socias saudáveis, cabe uma análise dos elementos motivacionais desta discriminação. 3. Metodologia Segundo Marconi e Lakatos (2015) a pesquisa bibliográfica é uma pesquisa a qual busca-se informações em publicações de livros, jornais, artigos e revistas. O presente apresenta cunho bibliográfico pois as pesquisas realizadas contam com uma abordagem através de leituras diversas para levantar e formular opiniões e que possuam afinidade com o tema em questão. É uma pesquisa descritiva, é ainda documental, de cunho teórico, uma análise da sociedade atual analisando sob a ótica jurídica, para proporcionar ao leitor amplo conhecimento e informações sobre o tema. São muitas as fontes midiáticas de pesquisa que mostram situações que afrontam a moral e/ou a integridade dos nordestino, sendo que muitas vezes o ataque vem de pessoas que também são do Nordeste, evidenciando que a apropriação da identidade de um povo pode refletir também uma diferença que perpassa a questão da regionalização e pode ser uma reprodução de um modelo de divisão de classes. 4. Resultados A partir das questões levantadas e discutidas na pesquisa bibliográficas e midiáticas, foi possível realizar uma reflexão sobre a necessidade de uma mudança comportamental e ideológica, que, por sua vez, teria reflexo diretamente no modo de pensar e agir de uma sociedade que insiste em disfarçar sua xenofobia, ou a escancara propositalmente, com o intuito de segregar uma parcela da população brasileira que não se encaixa no modelo capitalista de cidadania, que preza quem gera mais lucratividade. A relação do preconceito contra nordestinos tem raízes no racismo, especialmente porque descendentes de africanos e índios compõem significativa parcela da população das regiões Norte/Nordeste em comparação com os imigrantes europeus e a maioria branca do Sul/Sudeste desenha um quadro de gritantes diferenças (Oi Educa, 2018). Desse modo, entrando em discussão também o papel da educação e da família aliada à política local e nacional, assim, tornando-se um dos pontos relacionados com a pesquisa. 5. Considerações finais Assim como os demais brasileiros os nordestinos têm direitos estabelecidos pela Constituição, são cidadãos com quaisquer outros, são desde a colonização mão-de-obra eficiente, apesar de pouco valorizada, que vem alavancando as demais regiões do país, com destaque para Sul e Sudeste. Por conta das dificuldades econômicas, causadas por fatores naturais e má gestão de recursos, insistem em marginalizar nordestinos, tendo se valido das novas mídias para propagarem a intolerância e o preconceito esquecendo que de incapazes os nordestinos não tem nada, pelo contrário, justamente por ser um povo forte é que sobrevive às intempéries do semiárido e da sociedade não-nordestina. Palavras-chave: Preconceito; população; Nordeste, 6. Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988)/ Marcos Antônio Oliveira Fernandes, org. – 22. Ed – São Paulo, Rideel, 2016. CHINOY, Ely. Sociedade – uma introdução à Sociologia. Trad. CAJADO, Otavio Mendes. 22 Ed., Cultrix, 2012. MELLO, Luiz Gonzaga. Antropologia cultural: iniciação, teoria e temas. 17. Ed – Petrópolis, Vozes, 2009. https://marciomorena.jusbrasil.com.br/artigos/143782804/o-ataque-aos-nordestinos-nas-redes-sociais-e-os-limites-a-liberdade-de-expressao http://www.atribuna.com.br/noticias/detalhe/noticia/onda-de-intolerancia-e-xenofobia-invade-as-redes-sociais-depois-das-eleicoes/?cHash=872ef28a8dc071a515eed862f9e118c7 www.facebook.com.br www.g1.globo.com/educa/blog/adrearamal/combatepreconceitocontranordestinosprecisacomeçaremcasaena escola.html https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/usuarios-ofendem-nordestinos-nas-redes-sociais-eekhy07hh6yxh9vhg9jcscy1a/ www.oieduca.com.br/artigosconvivendocomadiferenca/preconceitocontranordestinos.html www.pensador.com/poemasnordestinos

Autor : MARIA ALVENI BARROS VIEIRA

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Desde o período colonial, o ensino da leitura, da escrita e das quatro operações da matemática se fazia acontecer por uma grande diversidade de mestres-escolas cujo ofício do magistério se realizava no ambiente domiciliar do aprendiz, por um curto período de tempo pré-determinado. Conforme trabalhos realizados por Vieira (2005), os mestres-escolas fizeram parte da história da educação do semiárido piauiense como sujeitos modestos, possuidores de conhecimentos rudimentares e fundadores de uma prática escolar específica atinente às necessidades das comunidades sertanejas que habitavam no semiárido piauiense. Mas, também, como senhores de uma prática educativa socialmente reconhecida, que lhes permitia, não somente o exercício da docência de forma alternativa, mas, por vezes, a participação nos quadros do serviço público, posto que, parte deles eram contratados pelo Estado. Algumas produções memorialísticas por nós analisadas a exemplo dos trabalhos realizados por Sampaio (1996), Vieira (2005), Sousa (2016) e Feitosa (2017), informam que os mestres-escolas do Piauí foram sendo substituídos pelas professoras normalistas na segunda metade do século XX. Elas, ao contrário dos mestres -escolas, faziam parte das inovações sócio educacionais presentes no imaginário republicano e das intenções de autoridades daquele período em estabelecer marcos distintivos entre o pretendido e o exercício docente realizado em períodos anteriores. O mestre-escola, por sua vez, fazia parte desse passado que se queria superar. Consequentemente, caíram no esquecimento. O presente trabalho tem como objetivo principal, apresentar uma proposta de pesquisa sobre as trajetórias de vidas e as práticas educativas dos sujeitos sociais reconhecidos como mestres-escolas e/ou dos alunos que foram alfabetizados por essa modalidade de professor no semiárido piauiense entre os anos de 1940 a 1970. Trata-se de um trabalho de investigação vinculado aos cursos de Pedagogia das Universidades Federal e Estadual do Piauí, Campus de Picos, cuja intenção dos membros participantes é colocar em evidência algumas tradições socioculturais do semiárido piauiense, dentre elas as formas de socialização escolar dos seus habitantes em uma perspectiva histórica. Por conseguinte, nesse trabalho, fazemos uso dos pressupostos teóricos e metodológicos da História da Educação assentando sua base de análise na História Cultural, especificamente na concepção de Práticas Culturais delineada por Roger Chartier (2000) como os modos de fazer dos sujeitos históricos. As primeiras sondagens realizadas afim de mapear os sujeitos sociais que atuaram como mestres-escolas no semiárido piauiense encontram-se em número reduzido, todavia, não raro são as pessoas que viveram os períodos da infância e da juventude em comunidades isoladas na zona rural da região e foram alfabetizadas por um mestre-escola. Podemos também inferir, que além do ensino das primeiras letras fazendo uso de cartilhas de a,b,c, e das quatro operações básicas da matemática através da tabuada impressa, os mestres-escolas do semiárido piauiense incrementavam suas propostas de ensino com conhecimentos necessários a vida naquela região.

Autor : NORBERTO STORI

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:A gestão de bens culturais no Brasil é um tema ainda pouco estudado na academia e carente de uma política pública embasada na diversidade social e na preservação, construção e reconstrução de espaços públicos. Assim, a conjugação entre as atividades turísticas e a visitação dos espaços culturais em diversos países do mundo tem resultado em experiências positivas no sentido da promoção do desenvolvimento sustentável recomendado pelas conferências internacionais que se ocupam da proteção e preservação dos bens culturais da humanidade, bem como uma ferramenta essencial para avaliar a gestão destes espaços. Neste sentido, os mecanismos de informação, inventário, registro e catalogação dos bens culturais constituem um passo importante para a preservação. Desta forma, este estudo teve como objetivo analisar as percepções dos visitantes em relação à gestão do Espaço Cultural Tancredo Neves, no município de Caruaru-PE, a partir dos comentários publicados no portal TripAdvisor. O método compreendeu levantamento bibliográfico e coleta de dados empíricos por meio do portal TripAdvisor. A abordagem da pesquisa foi quantitativa e qualitativa (análise de conteúdo) e os dados obtidos foram lançados em um banco de dados. O Espaço Tancredo Neves, edificado em 1935, possui uma arquitetura de grande valor histórico. Em 1988, após a restauração, passou a ser denominado Espaço Cultural. Na área interna abriga pavilhão de exposições e feiras, sede da Fundação e Cultura, Secretaria de Turismo, museus e unidades culturais. Na área externa, foi implantado o Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, com a Vila do Forró - réplica de um típico vilarejo do interior - onde se concentra grande parte dos eventos da cidade, tais como: São João e comemorações natalinas. Os resultados apontam que 90% dos visitantes vêem o espaço como um atrativo cultural para apreciar os costumes, hábitos e manifestações do povo nordestino, e também, como uma oportunidade de conhecer um pouco da economia do município que já foi importante polo têxtil do nordeste. Além disso, mais de 80% das opiniões estão relacionadas aos festejos de São João, pois Caruaru é reconhecida como a capital do Forró e o berço de algumas manifestações folclóricas. Todavia, algumas opiniões divergem e apresentam aspectos negativos em relação à gestão do espaço, dentre os quais se destacam: a falta de segurança e conservação; acessibilidade precária para deficientes físicos; e baixo para atrativo para o público infantil. Conclui-se que a gestão de espaços culturais implica atitudes muitas vezes silenciosas e de pouca visibilidade em curto prazo, mas que quando implementadas podem gerar resultados satisfatórios e visíveis para a sociedade. Todavia, essas atitudes prescindem do envolvimento da coletividade, de identificação da comunidade local por meio de cursos de educação patrimonial e conscientização. Sugere-se a continuidade da pesquisa e a realização de estudos para identificar os aspectos positivos e negativos da hospitalidade em Caruaru; para compreender como os turistas percebem a acessibilidade urbana (infra-estrutura) no centro histórico de Caruaru; e para avaliar a gestão pública do patrimônio cultural da cidade sob a ótica do visitante.

Autor : CESAR DE MENDONÇA PEREIRA

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Resumo: Esse estudo versa sobre uma Política Pública Cultural do Brasil, denominada Programa Cultura Viva, cuja ação principal são os Pontos de Cultura, com foco no Semiárido de Pernambuco. É um recorte da pesquisa realizada pela Fundação Joaquim Nabuco, “A estadualização dos Pontos de Cultura no estado de Pernambuco”. O objetivo é caracterizar as atividades exercidas pelos Pontos localizados no semiárido de Pernambuco e destacar os benefícios trazidos para as comunidades envolvidas. O Programa Cultura Viva potencializa ações já existentes, criando condições de desenvolvimento econômico alternativo e autônomo para a sustentabilidade da comunidade. Tomando como embasamento teórico o postulado teórico de Turino (2009), para o qual o Programa Cultura Viva é “um saber construído na experiência de vida, nada acadêmico, mas nem por isso menos sofisticado e profundo, pelo contrário”. Nessa perspectiva, a possibilidade de êxito em se promover uma ação cultural existente é bem maior do que assumir o risco de criar uma nova ação cultural. Para o desenvolvimento deste estudo, foi realizada uma pesquisa descritiva, em que se apresentam as características das comunidades e os aspectos gerais dos Pontos de Cultura a partir do que foi relatado pelos participantes. Inicialmente fez-se uma pesquisa documental para um levantamento geral em relação ao Programa Cultura Viva. Como procedimento para coleta de dados, escolheu-se como estratégia a observação direta para o levantamento das informações iniciais e os seguintes instrumentos: questionários aplicados junto aos gestores dos Pontos de Cultura e o diário de campo, através do qual se considerou a opinião do entrevistador sobre aspectos não contemplados pelo questionário. Com relação às atividades que são realizadas nos Pontos de Cultura podemos dizer que são prioritariamente desenvolvidas por associações e grupos artístico-culturais. Música, dança, manifestações culturais e artesanato são as atividades desenvolvidas, mas merecem destaque outras atividades, tais como, artes plásticas, audiovisual, literatura, teatro, cineclube, fotografia, circo, demonstrando assim a diversidade cultural alcançada pelo Programa. As atividades desenvolvidas nos Pontos tinham como objetivo valorizar e fortalecer a cultura local. Podemos dizer que observamos uma preocupação dos líderes dos Pontos em estimular a produção cultural das comunidades envolvidas. Trabalhar em prol do conjunto, valorizar a juventude e a cultura local, empoderamento de pessoas são as maiores contribuições dos Pontos para a comunidade. O público atendido pelos Pontos de Cultura é composto principalmente por crianças, adolescentes e jovens adultos. As atividades são desenvolvidas, em sua maioria, por voluntários e a existência de trabalho remunerado é muito baixa. Os Pontos de Cultura promovem mudanças positivas na vida de seus beneficiados através da valorização da cultura, da expansão do conhecimento, da integração com a comunidade e da vivência de novas experiências. Com relação às contribuições dos Pontos para a comunidade, os beneficiados destacaram o conhecimento de novas culturas, as novas ocupações dadas aos jovens, a integração com as comunidades vizinhas e as novas oportunidades concedidas (aquisição de novos conhecimentos, novos contatos, etc.). A grande contribuição dos Pontos de Cultura foi quanto à retirada da ociosidade, propiciando a redução da exposição de crianças e jovens às mazelas contemporâneas. Através de sua participação, nas atividades promovidas pelos Pontos, valorizava-se a cultura local e desenvolvia-se o senso crítico nos indivíduos. Ficou evidente, na pesquisa, o sucesso do Programa Cultura Viva junto à sociedade, sobretudo entre a camada mais jovem, uma vez que promove ações interativas e motivadoras, viabilizando a participação dos mestres da cultura popular, disseminando assim a diversidade cultural do Estado de Pernambuco. Nesse entendimento, os Pontos de Cultura constituem uma Política Pública Cultural de impacto positivo na vida das pessoas, viabilizando assim o exercício da cidadania.

Autor : NORBERTO STORI

Modalidade : AT16 - História, sociedade, natureza, arte e cultura no semiárido brasileiro

Sala : SALA 03 - AT 10/ AT 16     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:A seca entre os anos de 1934 e 1936 marcou um período de estiagem que não ficou restrita ao nordeste brasileiro, mas também aos estados de Minas Gerais e São Paulo que sofreram com a falta de chuvas. Depois disso, o dilema vivenciado no sertão nordestino passou a ser encarado como um problema nacional. Neste contexto, diversos artistas passaram a retratar a seca e o sertão em suas obras, dentre os quais se destacaram Graciliano Ramos (1892 – 1953) – com dois romances (São Bernardo, de 1934 e Vidas secas, de 1938) e Cândido Portinari (1903-1962) com a Série Retirantes de 1944, composta pelas seguintes telas: Retirantes, Enterro na Rede e Criança Morta. Assim, o objetivo desta pesquisa qualitativa é analisar as obras do paulista Cândido Portinari, buscando evidenciar o sertão retratado pelo artista em suas pinturas. Para atingir o objetivo proposto foi realizada uma análise documental e iconográfica, pois são as imagens que transmitem a ideia, não de pessoas ou objetos concretos e isolados, mas noções gerais – a fé, a pobreza, o sofrimento, a tristeza – que se chamam personificações ou símbolos. O artista buscou inspiração nas secas do nordeste e do interior de São Paulo, registrando nas telas a dura realidade de famílias nordestinas e de retirantes, bem como todo o sofrimento desse povo. Essa influência fez com que a pintura de Portinari se tornasse um importante instrumento de denúncia social. Os resultados apontam que a seca e a falta de políticas públicas empurram as pessoas para a cidade, ocasionando o inchaço dos centros urbanos, gerando assim o desemprego, o subemprego e a pobreza. O êxodo rural faz com que as pessoas deixem suas casas no campo e migrem para as cidades motivadas pela esperança de uma vida melhor. Nas telas da Série Retirantes, a natureza é um elemento ativo. As carcaças, os cactos, os urubus em revoada, as covas que quebram o achatamento do solo, são o dramático cenário no qual se situam figuras de diferentes consistências e expressividade. Os personagens, mulheres, velhos e crianças, são os heróis, famintos e sem sorte, que, Portinari fixa, não somente em suas telas, mas também em suas composições. Destaca-se que na obra Criança Morta existe um forte engajamento com a vida. A esperança de uma vida melhor parte de uma preocupação fundamental que desemboca em uma decisão de partir para o desconhecido, mesmo que esse desconhecido seja pior que o conhecido, mesmo que a morte esteja sempre presente em suas caminhadas. Esses seres cadavéricos carregam o peso do destino. As telas de Portinari apresentam a situação humana de maneira bastante real. Nela é perceptível a experiência de vazio e a falta de sentido, revelando a alienação do ser humano. A série Retirantes é uma face do país, é também uma pintura-denúncia, é a sensibilidade do pintor usada para denunciar a cruel realidade do país, é uma imagem que fica para a história, e para a humanidade. É impossível não perturbar-se com a situação decrépita e até cadavérica dos personagens. Os cenários retratados pelo artista mostram uma falta de esperança, com animais mortos e nenhum verde ou algo que denote a vida para o sertanejo.

I CONGRESSO NACIONAL DA DIVERSIDADE DO SEMIÁRIDO

Semiárido brasileiro: diversidade, tendências, tensões e perspectivas