Autor : MARCOS CAJAÍBA

Modalidade : AT 11 - Espaços, paisagens e territórios no semiárido

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:"agua da fulô que cheira, um nuvelo e um carrim": uma abordagem fotoetnográfica sobre a diversidade da feira do km 100. Todos os domingos, uma multidão, da madrugada até o final do domingo, dirige-se para o abrigo povoado do Km 100, às margens da BR 116. Um dos marcos civilizatórios desta comunidade, este evento é responsável, dentre outras coisas, pelo seu aspecto financeiro. Porém, através da vivência em vários momentos distintos em três anos diferentes, utilizei a fotoetnografia para construção narrativa de sua diversidade. A imersão na feira e o contato com feirantes e partícipes, foi fundamental para tentar perceber, para além do seu escopo comum, a diversidade deste/neste "acontecimento" do semiárido brasileiro. A canção "o 'pidido'" de Elomar, emprestou alguns versos como inspiração e as lentes das máquinas e dos celulares foram o portal este trabalho. Assim, como filho deste lugar e pesquisador sobre as identidades culturais, não poderia me furtar a aprender com o cheiro da "água de fulô", o novelo, tal como fio de Ariadne e o "carrim" que me leva a lugares que neste solo comecei a planejar!

Autor : MATEUS CAVALCANTE DE FRANÇA

Modalidade : AT 11 - Espaços, paisagens e territórios no semiárido

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Historicamente, a desigualdade social que marca o Brasil se materializa, entre tantos fenômenos, em intensos conflitos agrários. A concentração de terras, muitas vezes sem o empreendimento de esforço por produtividade, apenas investindo-se na especulação de seu valor, contrasta com a imensa massa de camponeses que indispõem de propriedade, marginalizados do processo produtivo rural e subordinados ao poder arbitrário dos grandes latifundiários, que não raro dispõem de milícias pessoais que executam o poder coercitivo, na forma de jagunços ou pistoleiros. Nesse contexto, o Movimento dos Trabalhadores rurais Sem Terra (MST) foi fundado em busca de uma luta popular por reforma agrária. Nesse diapasão, o presente trabalho se propõe a estudar de que maneira, na concretude de sua luta cotidiana, o MST empreende não apenas uma luta pela implementação de instrumentos jurídicos já oficializados, como a reforma agrária e o valor social da propriedade, mas promove, também, novas perspectivas sobre direitos humanos, bem como recursos para implementá-los à população que mais sofre com a insatisfação de suas necessidades fundamentais, em especial os trabalhadores e as trabalhadoras rurais sem terra. Para isso, foi feita uma pesquisa bibliográfica exploratória no intuito de melhor compreender a história e as dinâmicas do MST, bem como melhor estabelecer as perspectivas de direitos humanos vigentes no Direito brasileiro e aquela empreendida pelo movimento. Além disso, foi realizada pesquisa empírica, pelo método de observação externa, para estabelecer uma melhor relação de compreensão com as demandas, posturas e ações do MST, investigação essa desenvolvida junto aos militantes do movimento no Centro Educacional Patativa do Assaré, localizado no município da Macaíba, no Rio Grande do Norte. Adota-se, também, como marco teórico, a perspectiva de pluralismo jurídico comunitário-participativo formulada por Antonio Carlos Wolkmer, que visa reconhecer a produção jurídica de movimentos populares organizados, como a formulação do Direito Achado na Rua de José Geraldo de Souza Jr., que investiga como o povo, em suas relações cotidianas, produz novas formas de juridicidade. Pelas informações levantadas, percebeu-se que o MST pauta questões pertinentes à produção agropastoril, alimentação e sobretudo propriedade em um viés que foge das engessadas concepções individualistas estabelecidas pelo Direito liberal. Isso significa que a luta pautada pelo movimento não é por direitos individuais, e os militantes do MST não pautam sua luta em busca de satisfações pessoais. Trata-se, aqui, da construção de um sujeito coletivo de direitos, cujas demandas e propostas se dão no campo comunitário, a partir da participação ativa de seus membros nas diferentes atividades e discussões do movimento. Além disso, essa construção promove até mesmo novas concepções no que concerne aos direitos humanos postos em pauta pelo MST. A propriedade, direito tradicionalmente compreendido como garantia individual, aqui ganha um caráter coletivo. O mesmo ocorre com as relações produtivas e alimentares, que para o movimento dizem respeito a uma construção conjunta vinda da coletividade e direcionada para ela. Conclui-se, assim, que é salutar a atuação de movimentos sociais, que têm no MST um significativo representante, na composição de um processo dialético de produção de novos direitos e instrumentos jurídicos e outras perspectivas sobre aqueles já tradicionalmente consagrados. O reconhecimento da participação política e acesso à Justiça dos sujeitos coletivos de direito permite trilhas novos caminhos rumo à edificação de um ordenamento jurídico mais atento às carências fundamentais de seus grupos populacionais mais marginalizados.

Autor : JOÃO VICTOR DA CUNHA OLIVEIRA

Modalidade : AT 11 - Espaços, paisagens e territórios no semiárido

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:O estudo quanto a construção e modificação do espaço geográfico surge como suporte no entendimento de como se configura ao longo do tempo a estrutura dos grandes centros urbanos influenciados pela cultura e economia local, aderidos ao processo de conurbação que caracteriza as cidades como uma única mancha urbana pelo crescimento geográfico acelerado. Como objetivo desse trabalho, buscou-se realizar uma análise partindo do ponto de vista do método visual, sobre a modificação do espaço geográfico que ocorreu fortemente na cidade de Juazeiro do Norte-CE no ano de 2014, usando como referencial suas áreas de influência econômica, efeito de verticalização na cidade como um todo, transformação geográfica espacial dos grandes centros interligados, influência religiosa e cultural, além do processo de conurbação. Foram visitados cinco pontos estratégicos, onde realizou-se registros fotográficos e breves discussões a respeito dos pontos visitados e a possível influência no desenvolvimento regional do Cariri, que abarca em específico o Crato, Barbalha e Juazeiro do Norte, a citar: Horto, Passarela Juazeiro-Crato, Campus UFCA, Cruzamento da Av. Padre Cícero com a Castelo Branco e Cariri Garden Shopping. O Horto é o principal ponto turístico da cidade, e é onde está situada a estátua do Padre Cícero, revelando um marco na religiosidade da região, tendo em vista a obra que mais representa a figura emblemática que deu impulso ao desenvolvimento de Juazeiro do Norte. Neste ponto, pôde-se observar toda a região urbanizada e rural da cidade, onde observou-se também o intenso efeito de verticalização da cidade, pelo aparecimento de edifícios comerciais e residenciais no centro. A Passarela Juazeiro-Crato está localizada na rodovia CE-292, que liga Crato à Juazeiro do Norte, e apresenta fortes características do processo de conurbação que aumenta a cada época do ano, e os mecanismos estratégicos para esse fenômeno são os atacadões e fábricas, pois essa massificação de empresas nessa região proporciona um novo processo de urbanização intensificada e polarizada. O Campus da UFCA em Juazeiro deu grande auxílio quanto a percepção do fenômeno de verticalização da cidade, por estar em uma parte alta do relevo juazeirense. O processo de verticalização vem de uma resultante de caráter importante para uma sociedade capitalista extremamente especuladora: falta de locais para a construção de residências de luxo, e a escassez de lugares para a construção desse tipo, acaba por gerar construções de alta magnitude, prédios extremamente valorizados, transformando a cidade em um centro desenvolvido e com um custo-benefício relativamente alto. O Cruzamento Av. Padre Cícero com Castelo Branco apresenta um grande contraste socioeconômico atrelado a grandeza de empreendimentos e a pobreza. Nesse cruzamento, a paisagem de consumo expedida pelo mesmo dá a ideia de que aquele ponto no centro de Juazeiro é intensamente capitalizado, sem a presença das mais diversas camadas sociais. Apesar desse pensamento ser contraditório, a região citada transpassa os comércios locais e se transforma em um verdadeiro agente produtor do espaço geográfico tendo sua respectiva valorização espacial. Por fim, o Cariri Garden Shopping expõe o processo de globalização extremamente acentuado, havendo a interação de culturas internacionais em um único local, transparecendo o lugar de acesso a todos e tornando-se uma estratégia cultural e global para fins de consumo populacional, englobando as mais diversas esferas sociais. Conclui-se que através do método proposto foi possível analisar os processos de modificação e construção do espaço geográfico da cidade e região de Juazeiro do Norte, sendo perceptível os contrastes sociais, e que a religiosidade está presente em um lugar como figura principal de desenvolvimento econômico e turístico.

Autor : HUDSON INÁCIO MOURA FERREIRA

Modalidade : AT 11 - Espaços, paisagens e territórios no semiárido

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:As políticas de gestão socioambiental direcionadas as comunidades tradicionais quilombolas apresentam melhorias, entretanto, a intensificação de auxílio financeiro, estudos e pesquisas poderão beneficiarem grupos sociais declarados como públicos prioritários e favorecer a ampliação de conhecimentos aprofundados das condições ambientais e a exploração equilibrada dos recursos naturais do território de Acauã/RN. O presente trabalho objetivou contribuir com informações acerca da declividade, solo e vegetação da área de estudo, suprir lacunas relacionadas ao entendimento da paisagem de forma integrada. A metodologia consistiu em consulta bibliográfica pertinente ao tema, banco de dados e cenas de imagens de radar – Shuttle Radar Topography Mission (SRTM), obtidos em instituições como: o Serviço Geológico do Brasil, Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (IDEMA), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e no site americano Remote Pixel. A coleta de informações sobre o relevo (SRTM) em escala de 1:700.000, propiciou gerar a carta de declividade que submetida a tratamento no SIG (Sistema de Informação Geográfica) – ArcMap, versão 10.5, permitiu originar a carta de hipisometria e o modelo digital do terreno (MDE). Sobre os produtos elencados fez-se a sobreposição dos mapas base de pedologia e da cobertura vegetal, sendo o primeiro colhido no CPRM – Serviço Geológico do Brasil (SGB) em escala 1:1.500.000, e submetido para a escala de (1:10.000) e oportunizou detalhes do local, já o dado com informação sobre a vegetação foi adquirido no Ministério do Meio Ambiente (MMA), em escala 1:9.000.000, que reduzido para escala de 1:10.000 ofereceu uma maior descrição espacial. A área mapeada possui um total de 540,5138 hectares (ha), desta extensão encontram-se 531,3603 ha com declividade em duas classes (0% a 5% e de 5% a 12%) altimétricas situadas nas porções Sul/Norte da área de estudo. Para a superfície, com a terceira classe, com valor de inclinação entre 12% e 21%, a dimensão ocupada é de 9,1537 ha, compõe a porção Sul do território de Acauã. O comportamento da inclinação do terreno mostrado pelos mapas, oferecem conforme a literatura pouco risco a processos erosivos. Na análise da carta pedológica, observou-se a ocorrência de solos Argissolo Vermelho Amarelo na direção Norte e Sul da região de estudo e do Planossolo hidromórfico existente no Sul da área mapeada. Toda a região cartografada é coberta por vegetação de caatinga do tipo hipoxerófila original, mas com forte antropização, classificada pelo MMA como “Ag+Ta” (Agropecuária e Savana Estépica Arborizada). Diante do cenário revelado pela análise dos mapas elaborados no estudo, verificou-se a presença de um ambiente favorável a urbanização sem restrições como relata a Lei 6.766/79 do artigo 3º no inciso III da lei de Parcelamento do Solo Urbano e dá outras Providências, com capacidade de suporte para a agropecuária e sendo permitido construções no limite urbano-industrial. Mesmo assim, a localidade encontra-se na região classificada como de Muita Alta susceptibilidade a processo de desertificação. Fenômeno que incentiva a realização de novos trabalhos.

Autor : HERBERT EMMANUEL LIMA DE OLIVEIRA

Modalidade : AT 11 - Espaços, paisagens e territórios no semiárido

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:A partir da década de 2000, os territórios do semiárido vêm sendo ocupados com uma nova atividade que configura uma ruptura nas dinâmicas tradicionais de controle da terra e da água, trazendo novos agentes, mas sem eliminar lógicas de dominação anteriores. A energia eólica apresenta-se como uma nova proposta de desenvolvimento capaz de gerar renda e emprego, trazer benefícios aos municípios e estimular os estados produtores a um desempenho econômico semelhante aos estados do sul e sudeste. A pesquisa discute essas dinâmicas regionais a partir do que a eólica efetivamente trouxe e dos desafios que se apresentam.

Autor : BRENO DE ASSIS SILVA ARAÚJO

Modalidade : AT 11 - Espaços, paisagens e territórios no semiárido

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:O território norte-rio-grandense apresenta em seu processo histórico de formação dois grandes momentos de fragmentação territorial, um ligado à expansão das práticas agropecuárias tradicionais, do início da ocupação a meados de 1940, e outro, a partir da década de 1950, em um novo contexto urbano-industrial atrelado aos mecanismos políticos das oligarquias locais (GOMES, 2014). Os primeiros anos do século XX são marcados no RN por uma série de intervenções técnicas que objetivavam, sobretudo, articular o estado e promover o “combate às secas”. Estas ações reverberaram transformações sobre o espaço, de forma a promover a expansão e emancipação de várias localidades Pretende-se analisar a participação da intervenção técnica do Estado, por meio das Inspetorias de Obras Contra as Secas (IOCS e IFOCS), no processo de fragmentação do território no Rio Grande do Norte. Mais especificamente, tenciona-se compreender: a inserção da construção de açudes/ferrovias na constituição do espaço norte-rio-grandense até as primeiras décadas do século XX e a influência desse processo na estruturação de Baixa-Verde e Cruzeta. Dessa forma, almeja-se contribuir nas discussões sobre a historia das localidades em foco, a construção do território potiguar e o conceito de dimensão técnica das secas, desenvolvidas no âmbito do Grupo de Pesquisa HCUrb. Parte-se da compreensão do conceito de produção do espaço/território e seus elementos de análise, à luz de teóricos como Milton Santos (1985, 1991, 1994) e Roberto Lobato Corrêa (2011). Manuel Correia de Andrade (1994), Rita de Cássia Gomes (2014), Hélio Farias (2008), fornecem reflexões pertinentes à compreensão da realidade territorial em escala regional, explicitando seus aspectos populacionais e normativos. Acerca do papel da técnica na construção e na organização do espaço, recorremos aos aportes de Júlia Bernardes (2000) e Ana Fani (2011). O constructo empírico deste trabalho é assentado na análise dos relatórios do Ministério de Viação e Obras Públicas, fonte de coleta informacional acerca da construção do Açude Cruzeta, com a complementação das obras de Terezinha Góis (2017) e Paulo Santos (1990), que ajudam a delinear as historiografias locais. Como estratégia de espacialização deste fenômeno, elaboram-se mapas que reconstroem o processo de fracionamento no período delimitado, evidenciando as cidades supracitadas . Na conjectura nacional da época, a partir de 1909, as empreitadas da I(F)OCS propunham modernizar a região Nordeste, promovendo a sua conexão intraregional e integração com o restante do país. Diversos municípios norte-rio-grandenses foram contemplados por esta reestruturação territorial. Cruzeta e Baixa Verde simbolizam um aspecto singular destas intervenções no que diz respeito à propulsão do processo de povoamento e estruturação urbana, impulsionado pelas ações materiais empreendidas. A análise dos dados nos remete a Santos (1985, p. 32) quando afirma: “as modernizações [do território] criam novas atividades ao responder a novas necessidades. As novas atividades beneficiam-se com as novas possibilidades [...]”. Assim, é possível conceber que tanto o açude em Cruzeta quanto a construção da estação da EFCRN em Baixa Verde, proporcionaram novas possibilidades de utilização do espaço, seja pelo emprego de terras agora agricultáveis ou pela própria ideia de progresso que advinha da instalação das ferrovias. Os empreendimentos técnicos das Inspetorias sobre estes lugarejos permitiram sua expansão territorial, na medida em que estas ações resultaram em uma ocupação mais adensada nestes espaços, além de inserir estes territórios em uma nova lógica de circulação produtiva sistematizada no estado. Nesse sentido, “o espaço produzido surge como produto intencional e não-intencional da ordem estabelecida” (BERNARDES, 2000, p. 246) A consequência deste crescimento é a emancipação político-administrativa de ambos povoados, no caso de Baixa Verde em 1928, com status de município, e Cruzeta, em 1938, na condição de distrito, fragmentando, desse modo, o tecido territorial do Rio Grande do Norte.

Autor : ANNA LIDIANE OLIVEIRA PAIVA

Modalidade : AT 11 - Espaços, paisagens e territórios no semiárido

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:1. Introdução Diversas pesquisas mostram as dificuldades na descentralização da gestão e governança da água no Brasil. Pouco se sabe sobre a forma como se articulam as políticas públicas de convivência com o semiárido nas diferentes escalas de planejamento e atuação. A partir da região do Alto Oeste e Seridó Potiguar, nossa pesquisa se aproxima das ações das prefeituras para conhecer como se articulam com os organismos estaduais no enfrentamento da seca e planejamento a médio e longo prazo. Queremos igualmente estimular a constituição de uma memória da seca para deixar esse registro e para se conhecerem opções ao atual modelo hídrico. 2. Objetivos Como objetivo geral analisamos a articulação das políticas públicas de base nacional e estadual de convivência com o semiárido com as políticas municipais no sentido de resolver o mesmo problema, sabendo ser uma intervenção com dificuldades na atribuição de recursos financeiros e humanos, mas que é primordial dada a proximidade com as populações. Objetivamos igualmente estimular através de histórias de vida a memória dos habitantes mais velhos de modo a narrarem suas experiências com o fenômeno da seca, designadamente como possíveis retirantes e na possibilidade de relatarem experiências da comunidade na resposta à seca. 3. Metodologia Para se alcançarem nossos objetivos, de um lado, daremos atenção ao contributo do poder local na gestão da seca no semiárido nordestino através da coleta e análise de estudos, da coleta e análise de registros da mídia sobre a temática da convivência do semiárido no Rio Grande do Norte, em particular a partir do arquivo do Diário de Natal. Assim como, da realização de algumas entrevistas semiestruturadas a prefeitos/secretários do meio ambiente, representantes de comitês de bacia e especialistas locais sobre a temática da seca e gestão da água. De outro lado, nos interessa realizar entrevistas sobre histórias de vida atravessadas pela questão da seca a membros da comunidade e organizar grupos focais de discussão sobre a memória da seca e possíveis propostas à política de convivência com o semiárido. A pesquisa possui uma componente de campo que promove a participação de atores políticos e líderes de opinião locais. 4. Resultados O Brasil mantém uma tradição de gestão dos recursos hídricos essencialmente repartida entre as competências da União e dos Estados. A seca que se iniciou em 2012 requer a articulação das políticas públicas nas suas diversas escalas. A escala local é a que garante conhecimento aproximado dos problemas, mas é a administração pública estadual, regional e nacional que detém os meios financeiros e recurso humanos. Tivemos uma oportunidade para escutar prefeitos e seus representantes e alguns líderes locais sobre esta matéria. Na qual foi possível resgatar a memória das secas e o caráter social do fenômeno a partir do aprofundamento da pesquisa da questão da memória individual e coletiva da seca no Alto Oeste e Seridó Potiguar. O que até aqui sabemos é que a seca é o elemento central da identidade nordestina, por sua vez vinculada ao poder dos coronéis, ao cangaço, à religiosidade e literatura. 5. Considerações finais A pesquisa mantém foco na resposta das políticas locais à seca e como se articula com a política estadual, regional e nacional. A partir do contato com diversos municípios da região do Alto Oeste Potiguar e do Seridó ensaiamos essa aproximação à política de base local e ao contributo de seus atores locais. Simultaneamente, coletamos testemunhos com histórias de vida e imagens a partir da seca, identificando medidas adotadas pelas populações que não foram contempladas pelas políticas públicas, apesar dos bons resultados num quadro de diversificação das políticas de enfrentamento da seca.

Autor : GUILHERME PAIM MASCARENHAS

Modalidade : AT 11 - Espaços, paisagens e territórios no semiárido

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Introdução: A diversidade da produção de modos de vida se dá como produção de territórios, numa dinâmica que implica a interação entre pessoas e ambientes, e mediada por aspectos políticos, sociais, econômicos, culturais e subjetivos, que colocam em tensão elementos de apropriação e de dominação diversos. O contexto do semiárido, que abarca a maior parte da região Nordeste, é atravessado pelo fenômeno socioambiental da seca, mas também pela diversidade social, ambiental e cultural. Objetivo: Este ensaio pretende evidenciar as possibilidades de participação da Psicologia Ambiental nos estudos sobre contextos rurais, mais especificamente sobre o fenômeno da seca e sua dinâmica territorial, destacando os principais conceitos e debates realizados acerca dos aspectos psicossociais implicados. Metodologia: Para desenvolver esse trabalho, optou-se pelo método de pesquisa bibliográfica de cunho narrativo. Este tipo de pesquisa difere da pesquisa bibliográfica sistemática por não estruturar as buscas com critérios objetivos anteriores (BOTELHO; CUNHA; MACEDO, 2011). Assim, o método da pesquisa bibliográfica narrativa tem caráter exploratório e apoia-se na análise qualitativa das fontes de referência, dependendo, neste caso, dos conhecimentos acumulados pelo pesquisador que seleciona o material encontrado. Resultados e Discussão: De modo hegemônico, a Psicologia tem voltado sua atenção para aspectos da experiência humana nas cidades. Porém, a interiorização da profissão no país tem possibilitado que esses profissionais entrem em cidades de pequeno e médio porte, que se aproximam de uma realidade periurbana (SILVA; TASSARA, 2014), próxima geográfica e ideologicamente da rural (LEITE et al., 2013; SILVA; MACEDO, 2017). No contexto de disputa dos hidroterritórios do semiárido (PIRES; FERREIRA, 2012; TORRES; VIANNA, 2008), evidencia-se que esta dominação é exercida por uma pequena parcela da população, acelerando, assim, “o processo de alienação dos espaços e dos homens” (SANTOS, 1998, p. 18). Para além de suas características físicas, o ambiente é impregnado de significados socioculturais e pessoais. Trata-se, então, de considerar que os diferentes modos de viver são também diferentes modos de produzir, habitar e significar os espaços. Nesse sentido, as disputas pelos territórios vão além da questão do domínio espacial; mesmo que de forma indireta, disputam-se possibilidades de modos de vida; possibilidades de humanidade. Considerações finais: Pode-se constatar, cada vez mais, a heterogeneidade do semiárido brasileiro, o que torna ainda mais pertinente o estudo das relações pessoa-ambiente e seus modos de vida nessas localidades. As contribuições da Psicologia Ambiental para o debate e estudo do tema visam suprir a escassez de estudos sobre contextos rurais, visto que a ciência psicológica, assim como outras ciências, tem priorizado o estudo de fenômenos urbanos. Além disso, a leitura do espaço geográfico a partir da categoria território contribui com os estudos das relações pessoa-ambiente por trazer os atravessamentos da dimensão política, econômica e cultural, o que implica abarcar a totalidade dos fenômenos.

Autor : ROMERO DE ALBUQUERQUE MARANHÃO

Modalidade : AT 11 - Espaços, paisagens e territórios no semiárido

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:O turismo cultural é um fenômeno social, produto da experiência humana, cuja prática aproxima e fortalece as relações sociais e o processo de interação entre os indivíduos e seus grupos sociais sejam de uma mesma cultura, ou de culturas diferentes. Através do turismo cultural, os centros receptores da demanda turística ofertam aos seus visitantes o lazer, entretenimento e, consequentemente, as trocas culturais, durante a sua permanência e convivência temporária, com membros de outros grupos sociais. Neste contexto, este estudo teve como objetivo analisar as percepções dos visitantes do Museu Gonzagão, a partir dos comentários publicados no portal TripAdvisor. O método compreendeu levantamento bibliográfico e coleta de dados empíricos por meio do portal TripAdvisor, no período de junho de 2014 a agosto de 2018. A abordagem da pesquisa foi quantitativa e qualitativa (análise de conteúdo). O Museu Gonzagão, situado no Parque Asa Branca - na cidade de Exu-PE, é um espaço cultural dedicado a preservar a memória do Rei do Baião – Luiz Gonzaga. Ele foi idealizado pelo próprio artista – que, já com a carreira consolidada, quis construir um complexo de atrações para preservar seu nome e sua obra. No local é possível encontrar o maior acervo material original do músico. Entre os objetos pessoais, há sanfonas, chapéus, sandálias e gibão de couro, discos de ouro e fotografias. Outra atração é a casa onde ele morou que mantém os móveis originais, e o mausoléu onde Gonzaga está sepultado junto com sua primeira mulher (“dona” Helena), que seu filho Gonzaguinha mandou construir para o casal. Há, também, uma réplica da casa de reboco onde nasceu o músico e um viveiro de asas-brancas, um tipo de pombo que inspirou uma de suas músicas mais conhecidas. Os resultados apontam que os aspectos mais destacados pelos avaliadores estão relacionados à oportunidade de conhecer a riqueza artística deixada pelo músico Luiz Gonzaga; à divulgação da cultura nordestina e do homem do sertão, por intermédio de seus hábitos e costumes; à compreensão da importância da contribuição de Gonzaga na cultura do povo brasileiro; e à conservação das raízes plurais dos povos e suas tradições. Apesar dos aspectos positivos apresentados, alguns visitantes apontam que a conservação do espaço requer investimentos e melhorias das instalações, bem como incentivo do setor público para contribuir e ampliar o museu. O museu Gonzação é um espaço capaz de distinguir os hábitos e costumes das regiões Norte e Nordeste, esta última bastante exaltada nas músicas de Luiz Gonzaga. Além disso, por intermédio do museu é possível apresentar a identidade nordestina que é desconhecida por boa parte dos brasileiros. Por fim, conclui-se que o museu Gonzagão pode ser considerado como patrimônio imaterial de um povo, ou até, da humanidade, dependendo da sua dimensão e que deve ser protegido pelo poder público, bem como, preservado de geração a geração, garantindo a preservação da identidade cultural do povo sertanejo, seus bens simbólicos e práticas culturais.

Autor : BRUNO CLAYTTON OLIVEIRA DA SILVA

Modalidade : AT18 - Desertificação e mudanças climáticas em terras secas

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Originalmente o termo ‘ablepsia’, baseado no DicionárioMédico.com (2017, p.1), representa ‘cegueira’ ou ‘perda da visão’. Todavia, neste trabalho, tal expressão conota ‘aquilo que é, a priori, inaparente’ ou ‘imperceptível’. A partir de um longo processo analítico de revisão de diversos métodos e técnicas, bem como (re)avaliação de inúmeras publicações que as empregaram, entende-se que as ‘ablepsias’ advém da ‘absolutização’, ou seja, a não relativização dos resultados obtidos de uma análise frente a(s) sua(s) limitação(ões) e contexto(s) (social, econômico, político, ambiental, metodológico, temporal e/ou espacial). Como consequências, são produzidos, frequentemente, diagnósticos incompletos/equivocados e, notadamente, inferências indevidas em relação ao fenômeno/variável estudada. Em linhas gerais, a avaliação da tendência de componentes ou variáveis ambientais têm se realizado por meio de inúmeras técnicas. Especificamente para os estudos envolvendo ‘Tempo e Clima’, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), em 1988, sugeriu que tal procedimento fosse realizado através da técnica de Mann-Kendall (LIMEIRA et al., p.105; 2012, p.105; SOUSA e SILVA, 2013, p.443). Todavia, a partir das conjecturas mencionadas, vem se percebendo nuâncias neste processo. Deste modo, objetivou-se criticar as ‘perspectivas conclusivas’ dos Métodos Quantitativos (sobretudo, do teste de Mann-Kendall) na avaliação da tendência da precipitação pluviométrica acumulada na quadra chuvosa (FMAM) do Semiárido do estado do Rio Grande do Norte (RN). Para tanto, foram levantadas as Normais Climatológicas (NCs), relativas aos cinco Postos Pluviométricos (PPs) e/ou Estações Climatológicas Principais (ECPs) analisadas e empregadas séries temporais anuais balanceadas. Ainda quanto as citadas séries, essas dão conta, intencionalmente, do recorte temporal dos últimos 20 anos (1998-2017). Portanto, devido ao seu número de dados (‘n’), elas são classificadas como Normais Provisórias (NPs) que, como define o INMET (2018, p.3): “... são médias de curto período, baseadas em observações que se estendam sobre um período mínimo de 10 anos”. Ademais, como estatística base para execução do trabalho, empregou-se a própria técnica de Mann-Kendall. Além disso, foi utilizado o sistema computacional ‘Action Stat’, versão ‘Pro’, como uma ferramenta específica para realização das etapas de codificação, tabulação, processamento, produção de recursos gráficos e análise dos dados. Por fim, como ‘contraponto metodológico’, fez-se uso da concepção teórico-prática de ‘Resíduo’, entendido como “... a diferença entre o valor observado e o valor predito... (MELLO, 2014, p.209)”. Destaca-se que o termo ‘predito’, neste caso, foi conotado como ‘calculado’ (SINÔNIMOS, 2018, p.1). Por fim, utilizou-se o ‘Desvio Absoluto’ que, segundo Mello (2014, p.68) “é uma MEDIDA DE DISPERSÃO que é igual à soma das diferenças, em valores absolutos, entre valores observados e sua média, dividida pelo número total de observações”. Quanto aos resultados, observou-se que todas as ECPs apresentaram valores positivos para o somatório de ‘S’ (estatística do teste), dados por: Apodi-RN (10), Caicó-RN (8), Cruzeta-RN (4), Florânia-RN (6) e Macau-RN (10). O sinal positivo obtido indica que, em linhas gerais, os dados cresceram com o tempo. Portanto, conclui-se que, nas últimas duas décadas, o padrão observado da precipitação acumulada na estação chuvosa (FMAM) foi de aumento. Ou seja, no período avaliado, houve uma tendência de elevação do volume de chuvas na quadra chuvosa (FMAM) do Semiárido do RN. Todavia, observando-se os resultados dos cálculos dos ‘Resíduos’ e do ‘Desvio Absoluto’, para cada ECPs, irá se notar que, nas últimas duas décadas, ao contrário do que sinalizaram os resultados de Mann-Kendall, houve um significativo déficit, na grande maioria dos anos, dos totais acumulados anuais na quadra chuvosa (FMAM) em comparação àqueles tidos como ‘Normais’. Tal conclusão é balizada pelos resultados a seguir: 1. Entre 70% e 85% dos anos avaliados (1998-2017), os acumulados foram inferiores as NCs de cada PP/ECP; 2. Os Desvios Médios variaram entre -191,1mm e -302,1mm.

Autor : MATHEUS HENRIQUE DE FREITAS LEITE

Modalidade : AT18 - Desertificação e mudanças climáticas em terras secas

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:A região Nordeste do Brasil é uma das mais propícias a sofrer impactos decorrentes de mudanças climáticas devido ao aumento das temperaturas (Guimarães et al, 2016). No entanto, existe a necessidade de estudar as condições atuais e observar se já é possível detectar mudanças. Uma das formas de averiguar se uma região já vem passando por processos de alterações é estudar o comportamento de índices de extremos climáticos (Dantas et al, 2015; Santos et al, 2016). Neste estudo aplica-se uma análise de tendências de extremos de temperaturas para o Estado do Rio Grande do Norte com o objetivo de verificar a significância estatística das tendências de dez indicadores de extremos climáticos para temperaturas máximas e mínimas, avaliando sua distribuição espacial para o período 1980-2013. As séries temporais para cada município do Estado oram extraídas da análise gradeada descrita por Xavier et al., (2016), cuja resolução espacial é de 0,25° x 0,25°, para o período de 1980 a 2013. Os índices de extremos climáticos foram calculados utilizando o software Rclindex, em seguida mapeados e analisados utilizando o limiar de 95% de confiabilidade para a significância estatística. Os índices utilizados para a temperatura máxima foram TXX, TNX, TX10P, TX90P, que relacionam os maiores e menores valores anuais da variável, assim como o número de ocorrências diárias em que a variável supera os percentis 10 e 90 da distribuição climatológica. Analogamente para a temperatura mínima, foram calculados os índices TXN, TNN, TN10P e TN90P. Para complementar o estudo foram verificados os índices WSDI e CSDI, responsáveis por caracterizar ondas de calor e de frio, calculando-se o número de vezes ao ano em que as temperaturas máximas e mínimas foram superiores ou inferiores aos percentis 90 e 10 em ao menos 6 dias consecutivos. Para o índice TXX, a tendência é positiva nas cidades ao sul das mesorregiões Central e Oeste Potiguar, estatisticamente significativa e superior a 2,0°C; Para TNN, a tendência positiva ocorre em todo o Estado, estatisticamente significativa e superior a 1,0°C na maioria das cidades. Isto mostra que no decorrer da série a probabilidade das maiores temperaturas máximas e das menores temperaturas mínimas excederem os recordes registrados é muito alta, com exceção de poucas séries que apresentaram tendência positiva, porém sem significância estatística. A grande maioria das séries mostraram o incremento dos índices TXN, com tendência significativa e superior a 1,5°C em toda região central, e TNX, com tendência significativa e superior a 2,0°C, com exceção do sul da mesorregião do Agreste Potiguar, onde percebeu-se tendências negativas com significância estatística. Os índices CSDI e WSDI mostram uma maior propensão ao aumento de ondas de calor no Estado. Os índices de extremos climáticos analisados mostram que a maior parte do Estado do Rio Grande do Norte vem vivenciado, a partir da década de 80, predominância de tendências positivas e estatisticamente significantes que apontam para o incremento das temperaturas máximas e mínimas registradas, influenciando no aumento de casos de ondas de calor. Contudo, as mesorregiões leste e agreste indicaram tendências negativas e estatisticamente significantes, contrárias ao restante do Estado.

Autor : GUILHERME REIS PEREIRA

Modalidade : AT18 - Desertificação e mudanças climáticas em terras secas

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:A variabilidade climática com distribuição irregular de chuvas é uma característica da região semiárida do Brasil que provoca quebra de safras nos anos de secas. A agricultura de sequeiro e a pecuária são as atividades mais atingidas pelas secas que ocorrem periodicamente. Para se ter ideia das perdas sofridas por estas atividades, entre 2002 e 2015 a participação da agropecuária no valor adicionado bruto caiu de 10% para 6% na composição do PIB da região Nordeste. Este estudo visa identificar o grau de influência da variação das precipitações sobre a quantidade produzida e a produtividade do feijão e do milho na região semiárida dos oito estados no Nordeste. Para calcular a correlação entre o volume acumulado de chuvas de janeiro a junho, período chuvoso nas diferentes faixas de semiárido, e a variação de produção e produtividade foi empregado o coeficiente de correlação de Pearson disponível no programa Excel. Foram utilizados os dados de precipitação de estações meteorológicas das agências estaduais (Emparn, Funceme, AESA, APAC) e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) de 2000 a 2012 e dados do satélite Global Satellite Mapping of Precipitation (GSMaP) da agência japonesa Jaxa nos mesmos meses entre 2013 e 2016, bem como as informações de produção e produtividade da Pesquisa Agrícola Municipal do IBGE entre 2000 e 2016. Os resultados mostram que na maioria dos estados do Nordeste há um crescimento da produção na medida em que o volume de chuva aumenta. Observa-se que os maiores volumes de produção ocorrem entre 600 a 900 mm. Entretanto, em 2004 houve chuvas intensas nos estados de Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e norte da Bahia, onde foi registrada uma média de 400 mm somente em janeiro, o triplo da média histórica, e pouca chuva em abril, o que levou a produção menor que nos anos que tiveram distribuição regular de chuvas nos quatro meses de cultivo do feijão e do milho. Ambas as culturas apresentam variação da produtividade em decorrência do volume de chuvas no período na maioria dos estados do Nordeste, com exceção de Sergipe. Vale destacar que a cultura do milho apresenta as maiores oscilações de produtividade. A redução da produtividade pode ser observada nos anos de 2001, 2005, 2007, 2010 e 2012 que tiveram médias pluviométricas mais baixas. Na maioria dos estados teve um coeficiente de correlação em torno de 0,6, mas no caso do Rio Grande do Norte o coeficiente para o milho foi de 0,8 e da Bahia de 0,7 para o feijão. O coeficiente de correlação da precipitação com a produção apresenta valores um pouco maiores que o coeficiente da precipitação com a produtividade nos estados de Alagoas, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Isto se deve à diminuição da área plantada nos anos de seca, comparado a 2011 que foi um ano com volume de precipitação favorável. Houve redução da área plantada do feijão de 1,8 para 1 milhão de ha e de 2,2 para 1,3 milhões do milho entre 2011 e 2013 e permaneceu abaixo da área plantada de 2011 nos anos subsequentes. Conclui-se que a variabilidade da precipitação exerce uma influência significativa sobre o volume de produção de milho e feijão, sendo que as perdas de safras de milho são maiores. Somente no caso do Ceará houve perda de uma tonelada por hectare de milho comparando anos chuvosos com anos de seca. Neste sentido, existe uma correlação entre precipitação e produção agrícola na maioria dos estados pesquisados, com exceção de Sergipe que teve mais dias com precipitação que o restante dos estados, não sendo afetado pela seca na mesma intensidade.

Autor : DAIANETE NAZARÉ MOURATO SILVA

Modalidade : AT18 - Desertificação e mudanças climáticas em terras secas

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:O manejo inadequado da irrigação nas regiões semiáridas, tem ocasionado a redução da capacidade produtiva dos solos, causado pela salinização e/ou sodificação, originando problemas agro econômicos. A recuperação desses solos tem como principal objetivo a diminuição da concentração dos sais solúveis e do sódio trocável no perfil do solo, tendo como principal técnica a aplicação de corretivo como fonte de cálcio assim como a drenagem adequada. Os resíduos de gesso de construção civil possuem altos teores de cálcio e o mesmo apresenta uma capacidade para reciclagem restringida. Este trabalho teve como objetivo avaliar a altura do feijoeiro, números e biomassa dos nódulos cultivados em um solo salino-sódico após a aplicação de gesso mineral e resíduo de gesso de construção civil sob 1,2,3 e 4 lâminas de lixiviação (volume de poros). Adotou-se delineamento experimental inteiramente casualizado, em arranjo fatorial 2x4 (dois tipos de gesso e quatro lâminas de lixiviação), com quatro repetições. Os corretivos utilizados foram o gesso mineral (G1) e os resíduos de gesso de construção civil (G2). Após a aplicação dos tratamentos foi obtido o lixiviado para determinar o sódio solúvel e o valor da condutividade hidráulica; foram feitas também análises químicas no solo para determinar a condutividade elétrica e os cátions trocáveis (Na+, K+, Ca2+ e Mg2+ para posterior resultado da porcentagem do sódio trocável. Terminada os tratamentos analises procedeu-se com o experimento em casa de vegetação, onde iniciou a plantação nos solos anteriormente tratados e posteriormente analisado o número e massa seca dos nódulos, assim como a altura das plantas. O solo apresentou correção quando aplicado a lâmina de lixiviação equivalente a três volumes de Poros (VP), resultando em valores menores ao estabelecido por Richards (CE < 4 dS m - 1 ; PST < 15%) para separar solos afetados e não afetados. O teor de sódio solúvel encontrado após o primeiro VP foi bem próximo ao sódio solúvel encontrado no extrato de saturação do solo antes da aplicação dos corretivos. O cálcio trocável teve valores superiores quando comparados aos demais cátions trocáveis, havendo um comportamento linear crescente assim que aplicadas diferentes VP, este fato pode ser justificado pela dissolução do gesso que promoveu elevação do teor de cálcio. O número e a matéria seca dos nódulos, assim como a altura das plantas tiveram maiores médias quando aplicada lâmina de lixiviação equivalente a 4 volume de poros, esse resultado demostra que a partir de 4 VP o solo encontra-se ideal para o cultivo. A correção do solo ocorre com 3 VP e ainda sim é arriscado, pois os valores encontrados estão próximo ao determinado por Richards, sendo assim ideal a aplicação da lamina de lixiviação equivalente a 4 volumes de poros estando o solo livre do risco e estando assim o mesmo apto ao cultivo.

Autor : FRANCÍLIO DE AMORIM DOS SANTOS

Modalidade : AT18 - Desertificação e mudanças climáticas em terras secas

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:O semiárido do Nordeste do Brasil (NEB) exibe paisagens distintas e de grande beleza cênica. Fato esse que demanda o uso da abordagem geossistêmica como instrumento para o conhecimento e análise das componentes ambientais de forma integrada. Logo, gera-se a possibilidade de construção de um banco de dados de modo a subsidiar o planejamento e a gestão ambiental. Esses estudos são sumamente relevantes em áreas semiáridas, notadamente aquelas suscetíveis ao processo de desertificação, esta produto das variações climáticas e atividades humanas praticadas de modo inadequado. Para tal fim, faz-se necessário o emprego de indicadores biofísicos para avaliação e diagnóstico do meio natural, por conseguinte, conhecimento do real estado de conservação/degradação dos recursos naturais. Nesse contexto, o estudo teve como objetivos: caracterizar as componentes ambientais, avaliar e realizar diagnóstico do estado do meio natural do município de Juazeiro do Piauí, a partir das seguintes variáveis biofísicas: Declividade média (Dm), Erosividade das chuvas (R), Erodibilidade dos solos (k) e o Índice de vegetação ajustado ao solo (SAVI). O estudo empregou metodologia quantitativo-qualitativa e abordagem descritiva, ao passo que os procedimentos técnicos utilizados constituem adaptação à metodologia proposta por Beltrame (1994). Desse modo, tomou-se como base 4 (quatro) variáveis biofísicas – Dm, R, k e SAVI – e uso de média ponderada para a elaboração do Diagnóstico Físico Conservacionista (DFC). Nesse sentido, o trabalho demandou a aquisição de arquivos cartográficos – alfanuméricos, vetoriais e matriciais – que foram manuseados via dois programas computacionais, a saber: pacote de programas USUAIS, conforme sugerem Oliveira e Sales (2016); QGIS, versão 2.14. Destaca-se que o DFC propõe-se a integrar os valores dos 4 (quatro) parâmetros, supracitados, ressaltando-se que o valor mínimo 6 (seis) representa a melhor qualidade ambiental, enquanto o valor máximo 19 (dezenove) configura o pior estado de conservação. O município de Juazeiro do Piauí está assentado sobre formações geológicas de natureza sedimentar, quais sejam: Cabeças (78,2%) e Pimenteiras (21,8%) (CPRM, 2006). Por sua vez, o relevo apresenta altitudes que variam de 100 a 260 m e predomínio de declividade plana a suave ondulada (USGS, 2017). O município em questão é cortado pelos rios Poti e Parafuso e riacho Vertente, ao passo que os totais pluviométricos oscilam entre 900 a 1.200 mm (ANA, 2017). Foram identificadas 4 (quatro) subordens de solos, a saber: Latossolos Amarelos (44,6%), Neossolos Litólicos (39,2%), Neossolos Quartzarênicos (13,1%) e Planossolos Háplicos (3,1%) (INDE, 2014). Esses solos são recobertos por vegetação com diversos estágios de conservação e regeneração, mais especificamente formações baixas e abertas, estrato herbáceo a arbóreas mais encorpadas e cerrado rupestre (ALBINO, 2005). Quando integrados os valores dos indicadores ambientais na fórmula descritiva do DFC, este apontou aumento da degradação ambiental no município de Juazeiro do Piauí, considerando-se os anos de 1997 (11.448) e 2016 (12.515), da ordem de 1.067 unidades. Destaca-se que esse aumento possivelmente está associado à dinâmica das atividades econômicas na área estudada e própria dinâmica climática, que tem interferência no crescimento da cobertura vegetal. Nesse cenário, faz-se necessário tomar os dados como elementos-chave para o planejamento das atividades econômicas, gestão e recuperação do quadro ambiental no município.

Autor : ANDERSON TAVARES VIEIRA

Modalidade : AT18 - Desertificação e mudanças climáticas em terras secas

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:A degradação ambiental em muitos municípios brasileiros é cada vez mais recorrente, as causas podem estar associadas a fenômenos naturais ou antrópicos, como é o caso das práticas de manejo e uso da terra inadequados (NEVES; SOUZA, 2014). A região semiárida do Nordeste do Brasil tem mantido ao longo dos tempos uma estruturação agrária concentradora, que tem contribuído para o processo de “minifundização” dos estabelecimentos agropecuários. Esse fato pode ser compreendido como um dos desencadeadores da degradação e desertificação, à medida que os produtores intensificam o uso das áreas sem considerar, necessariamente, a capacidade de suporte das mesmas (BEZERRA, 2016). Apesar de estudos recentes sobre degradação ambiental no Semiárido cearense (FUNCEME, 2015; CARVALHO, 2014), ainda são incipientes os trabalhos que relacionam a degradação ambiental e a estrutura fundiária. Nesse contexto o presente trabalho pretende analisar a relação da degradação ambiental e uso da terra com a estrutura fundiária no município cearense de Santa Quitéria. A área de estudo compreende o município Santa Quitéria, localizado no Sertão Central Cearense. Utilizou-se para tanto a base de dados da malha fundiária do IDACE (2015), estrutura fundiária do INCRA (2015) e classificação quanto à degradação ambiental e uso da terra de Vieira, Magalhães e Silva (2017). As classes consideradas para o estudo foram Mata ciliar fortemente degradada associada a agricultura e pecuária (Mcdp), Mata Ciliar moderadamente conservada associada a agricultura (Mcmca), Caatinga moderadamente conservada em pousio (Cmcp), Caatinga levemente degradada associada a pecuária e silvicultura (Cldps), Caatinga moderadamente degradada associada a pecuária e silvicultura (Cmdps) e Área de Pecuária extensiva/Caatinga fortemente degradada (Ape). Relacionou-se a classificação supracitada com a malha fundiária e calculou-se a porcentagem de cada classe nos minifúndios, pequenas, médias e grandes propriedades. Utilizou-se o software ArcMap 10.5 para os cálculos das áreas e confecção da base temática. No município estudado segundo Incra (2015) percebe-se um predomínio dos minifúndios com 1126 imóveis, as pequenas propriedades são 926 e 287são médias propriedades. As grandes propriedades apesar de serem apenas 89 imóveis, ocupam 43,23% da área do município. Dentre as seis classes de mapeamentos consideradas para o estudo, os minifúndios apresentaram os seguintes resultados: Mcdp (7,46%), Mcmca (1,82 %), Cmcp (14,49 %), Cldps (39,28%), Cmdps (25,30%) e Ape (11,66%). Já as pequenas propriedades apresentaram, Mcdp (6,68%), Mcmca (1,49%) , Cmcp (15,63 %), Cldps (39,59%) e Cmdps (25,30%) e Ape (11,32%). As médias propriedades Mcdp (5,33%), Mcmca (1,16%) , Cmcp (16,90%), Cldps (39,36 %), Cmdps (25,57%) e Ape (11,68 %). Os dados mostraram padrões de porcentagem onde os minifúndios, pequenas e médias propriedades apresentaram pouca variação em relação as porcentagens. Observa-se que quanto maior a propriedade, aumenta a porcentagem de Cmcp, que representa as áreas mais conservadas. As grandes propriedades destoaram das demais, uma vez que apresentaram a maior porcentagem de Cmcp com 22,64% e a menor porcentagem de áreas fortemente degradada (Ape), 8,17 %. Nesse sentindo Sampaio et al. (2013) relatam que maior quantidade de pequenas propriedades, elevada taxa de lotação de animais e extração vegetal tornam o município mais vulnerável a degradação das terras (SAMPAIO et al., 2003). Com o estudo, notou-se um padrão de quanto maior a propriedade, maior o grau de conservação das terras. Uma vez que os minifundios e pequenas propriedades estão sujeitas a maiores pressões devido a constante exploração recursos naturais sem o manejo adequado. Ademais as grandes propriedades estão sujeitas a legislações (Lei Nº 12.651 de 2012) fatores que estabelecem áreas de conservação em propriedades rurais (Reserva Legal), podem explicar o resultado de maior grau de conservação dessas propriedades obtido no estudo.

Autor : ERIC MATEUS SOARES DIAS

Modalidade : AT18 - Desertificação e mudanças climáticas em terras secas

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Introdução No Brasil, algumas áreas já apresentam elevados níveis de desertificação, essas compõem os Núcleos de Desertificação sendo eles: Gilbués (PI), Irauçuba (CE), Seridó (RN/PB), Cabrobó (PE). O Núcleo Seridó, especificamente no Rio Grande do Norte, ocupa 2.792.418 km² do território potiguar, sendo seis municípios que o compõe: Acari, Carnaúba do Dantas, Cruzeta, Currais Novos, Equador e Parelhas (RIO GRANDE DO NORTE, 2010). Os relatórios do IPCC, revelam cenários pessimistas com maior aumento de temperatura em 5ºC, o semiárido brasileiro, pela influência das mudanças climáticas tende a um quadro de desertificação avançado, aumentando totalmente a problemática hídrica, bem como a econômica e social (MARENGO, 2008). Objetivo Analisar se os municípios do Núcleo de Desertificação Seridó, especificamente no Estado do Rio Grande do Norte, estão implementando estratégias de gestão hídrica e socioambiental, levando em consideração as mudanças climáticas para adaptação aos riscos da seca e da desertificação. Metodologia Quanto ao objetivo este artigo caracteriza-se como exploratório-descritivo. Quanto a natureza do problema, a pesquisa apresenta-se como qualitativa, consistindo na verificação da presença ou ausência de uma determinada característica de conteúdo, comparando dados obtidos com algum padrão de adequação ou desempenho (FRANCO, 2003). Os dados foram coletados, por meio da pesquisa bibliográfica em sites oficiais de órgãos governamentais, artigos e dissertações. Também, foram analisados dados da base de dados dos municípios do IBGE, do ano de 2017, referente as variáveis de meio ambiente e gestão de riscos nos seis municípios que compõe o Núcleo de Desertificação Seridó, no Estado do Rio Grande do Norte. Resultados Segundo dados do IBGE 2017, os municípios relataram enfrentar problemas relacionados à seca, principalmente, no ano de 2015, onde foram observados episódios de diminuição da vazão de corpos de água, diminuição de fauna e flora, bem como perdas financeiras, agrícolas, animais, etc. informações detalhada de cada um dos seis municípios podem ser observadas no quadro abaixo. Tendo em vista, que esses problemas podem ser agravados, deve-se enfatizar que desertificação e as mudanças climáticas, como processos que envolvem múltiplas causas e efeitos, requerem uma ação de Governo voltada para a criação de instrumentos e política de recursos hídricos, gestão ambiental e combate aos efeitos da seca. E esses municípios com processos de desertificação avançados devem ser objetos de identificação de demandas e de implementação de políticas locais. Em relação a ações de minimização dos efeitos da seca, a maioria dos municípios relataram que a construção de cisternas e açudes foram os principais aliados. Contudo, todos os municípios ainda recorreram a ações emergenciais como o abastecimento por carros-pipa para superar a falta de água nos períodos de estiagem. Considerações Finais As mudanças climáticas aumentarão a problemática da água e consequentemente os processos de desertificação. Dessa forma, os efeitos já sentidos no NDS serão intensificados, aumentando ainda mais os desafios da gestão hídrica e socioambiental. Isso tudo terá efeito direto na produção agrícola, na vegetação e fauna da caatinga, bem como na garantia do acesso a água. Referências MARENGO, J. Vulnerabilidade, impactos e adaptação à mudança do clima no semi-árido do Brasil. Parcerias Estratégicas, v.27, p.149-75, 2008. RIO GRANDE DO NORTE. Secretária de recursos Hídricos – SERHID. PROGRAMA DE AÇÃO ESTADUAL DE COMBATE À DESERTIFICAÇÃO E MITIGAÇÃO DOS EFEITOS DA SECA NO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE - PAE/RN. Natal/RN. 2010. FRANCO, Maria Laura Puglisi Barbosa. Análise de conteúdo. Brasília: Plano Editora, 2003.

Autor : JOSIMAR ARAÚJO DE MEDEIROS

Modalidade : AT18 - Desertificação e mudanças climáticas em terras secas

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:A problemática da desertificação são escassos os trabalhos referentes ao uso de essências florestais nativas, sobretudo aquelas aptas a desenvolverem-se em área com degradação à vista e que sejam úteis ao homem remanescente dessas terras. Também são escassos os trabalhos dessa natureza com o envolvimento dos agricultores que labutam nesses locais. Por isso é importante que pesquisas com esse fulcro sejam realizadas criando a possibilitando de replicação dos resultados para outras áreas. O objetivo desse trabalho foi avaliar o uso da faveleira, como estratégia de reabilitação produtiva e dos processos ecológicos de áreas sujeitas à desertificação (ASD). É uma xerófita endêmica da Caatinga, importante para as comunidades vegetais onde se encontra no entremeio pela resistência a semiaridez, por servir alimento e abrigo para a fauna, além do uso do caule, folhas, sementes, raízes nas atividades humanas. A área de plantio compreende uma clareira florestal situada em meio a Caatinga situada na localidade rural São Paulo/São José do Seridó/RN. Não constatou-se a presença do vegetal no entorno da área de plantio. Em março de 2009, foi realizado o plantio de 82 mudas em uma parcela localizada numa propriedade rural do município, em covas com 50 x 40 cm e espaçamento de 4 m x 4 m, sendo recolocado na cova o material retirado na escavação, tarefas realizadas com a participação dos agricultores proprietários da área, incluindo o uso dos seus equipamentos de trabalho. No entorno das plantas foi colocada uma camada de pedras para favorecer a interceptação de água e outras partículas transportadas pela água e pelo vento (incluindo sementes, folhas secas e partículas de rochas). As mudas foram fornecidas pela Secretaria de Meio Ambiente do município e contavam com oito meses de emergência. O plantio foi realizado na estação chuvosa, recebendo somente a água proveniente das chuvas do período. Não foi empregado nenhum tipo de insumo e a área de plantio se manteve sendo explorada com o pastoreio. Avaliou-se a taxa de sobrevivência, o crescimento em altura (para isso todas as plantas foram medidas no alto de plantio) e o povoamento do microssítio de plantio por espécies existentes na vizinhança. A avaliação realizada em abril de 2014, 65 plantas se encontravam vivas. A altura média verificada foi de 55 cm. Constatou-se o povoamento do microssítio no entorno das plantas por espécies permanentes (dois arbustos) e temporárias (11 herbáceas) verificadas na área florestada do entorno do sítio degradado. A pesquisa mostrou à viabilidade da favela na reabilitação de áreas em processo de desertificação pela resistência às intempéries climáticas e antrópicas e pelo baixo custo da técnica de plantio aplicada. Outro fato digno de registro é o consumo das folhas do vegetal pelos animais que pastejam na área após a desfolhamento ao final da estação chuvosa.

Autor : BRUNO CLAYTTON OLIVEIRA DA SILVA

Modalidade : AT18 - Desertificação e mudanças climáticas em terras secas

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo:Historicamente, a precipitação pluvial sempre figurou, dentre as variáveis climáticas, como de grande interesse à observação. Tal fato justifica-se devido a sua relevância, seja direta ou indiretamente, em inúmeros processos que norteiam as ações e/ou atividades humanas, tais como: abastecimento doméstico e/ou industrial, atividades agrícolas, dessedentação de animais, preservação da flora e da fauna, geração de energia elétrica, navegação, diluição de despejos, recreação ou lazer e, sobretudo, consumo humano (DERÍSIO, 2012). Atualmente, segundo o IBGE (2017), o Brasil possui 5.570 municípios. Desses, 1.262 (cerca de 22,7% do total) estão inseridos na região do Semiárido Brasileiro (SAB). Ainda segundo a última supramencionada fonte, o estado do Rio Grande do Norte (RN) possui 147 municípios, de um total de 167 (ou seja, aproximadamente, 88% do seu total), enquadrados no SAB, que, por sinal (em sua totalidade), foi redefinido, em 2017, pelo grupo de trabalho Interministerial do Ministério da Integração Nacional (MI) e pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). Diante das inúmeras demandas relativas ao comportamento da precipitação pluvial no Semiárido do RN, o presente trabalho buscou avaliar a tendência dos totais anuais acumulados na quadra chuvosa – fevereiro, março, abril e maio (FMAM) – para o período de 1998-2017 (últimas duas décadas), especialmente, a partir de dados provenientes de Estações Climatológicas Principais (ECPs) localizadas em: Apodi-RN, Caicó-RN, Cruzeta-RN, Florânia-RN e Macau-RN. Ou seja, intentou-se identificar o padrão recente do comportamento da estação chuvosa (FMAM) das supraditas séries. Para tanto foram empregadas Normais Climatológicas Provisórias (NPs), que, segundo o INMET (2018, p.3), “... são tidas como são médias de curto período, baseadas em observações que se estendam sobre um período mínimo de 10 anos”. Ademais, como Estatística base para execução do trabalho, empregou-se a técnica de Mann-Kendall. Ela é considerada um teste não-paramétrico e foi recomendado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), em 1988, para avaliação da tendência em séries temporais de dados meteorológicos/climatológicos, dentre eles, dados de precipitação pluvial (LIMEIRA et al., p.105; 2012, p.105; SOUSA e SILVA, 2013, p.443). Acrescenta-se, ainda, que o teste tem sido amplamente utilizado para se testar a aleatoriedade contra tendência de séries temporais climatológicas (SOUSA, MORAIS E SILVA, 2011, p.138). Além disso, foi empregado o sistema computacional ‘Action Stat’, versão ‘Pro’, como uma ferramenta específica para realização das etapas de codificação, tabulação, processamento e análise dos dados. Quantos aos resultados, observou-se que todas as ECPs estudadas apresentaram valores positivos para o somatório de ‘S’ – ou seja, para a Estatística do teste –, dados por: Apodi-RN (10), Caicó-RN (8), Cruzeta-RN (4), Florânia-RN (6) e Macau-RN (10). O sinal positivo obtido, a partir do emprego do teste, indica que, em linhas gerais, os dados cresceram com o tempo. Portanto, conclui-se que nas últimas duas décadas (especificamente entre 1998-2017) o padrão observado da precipitação acumulada na estação chuvosa, relativo as ECPs avaliadas, foi de aumento. Ou seja, no período avaliado, houve uma tendência de aumento do volume de chuvas na quadra chuvosa (FMAM) do Semiárido do RN.

Autor : SUZANE PEREIRA CARVALHO

Modalidade : AT18 - Desertificação e mudanças climáticas em terras secas

Sala : SALA 04 - AT 11/ AT 18     Localização : SALÃO CEDRO - PRAIAMAR

Dia : 13/12/2018     Hora inicio : 18:00:00     Hora Fim : 21:00:00

Resumo: Resumo O processo de degradação ambiental que ocorre em várias partes do globo, há anos vem se intensificando com a ação do homem. A ferramenta utilizada para reduzir esse processo é conhecida como manejo, seu uso permite que as áreas degradadas se recuperem física, química e biologicamente para que se tenha um equilíbrio natural. Esse estudo foca em áreas degradadas, principalmente na região do município de Gilbués, PI, que vem sofrendo com esse processo. Contudo, existem várias formas de se trabalhar o manejo de áreas degradadas, e um deles é com o uso do Biochar, principalmente em áreas onde o processo é bem intensificado como em Gilbués, contribuindo não só para a área em si, mas para tudo que ela abrange. O biochar é um subproduto sólido resultante da queima da matéria orgânica, com um rico potencial para adubação orgânica. Possui varias funções, e seu uso vem se direcionando para agricultura e manejo de áreas degradadas. Neste sentido, o objetivo deste trabalho é avaliar os efeitos do biochar de Eucalipto (Eucalyptus grandis) em solo degradado do município de Gilbués, Piauí. O estudo foi feito utilizando delineamento inteiramente casualizado em parcelas subdivididas, foram testadas quatro doses do composto biochar (0%, 0,5%, 0,25%, 0,125%.) em oito tempos de coleta (zero, 7, 14, 28, 42, 56, 70 e 84 dias), com três repetições. O solo foi coletado na camada de 0-60. O experimento esta sendo realizado na Embrapa Meio Norte, Teresina-PI, utilizando o método de delineamento inteiramente casualizado, e execução de análises de fertilidade conforme Van Raijet al. (2001), e granulometria conforme Camargo et al. (2009). Foi caracterizado o biochar de Eucalipto como adubo orgânico para manejo do solo, análise dos atributos físicos – químicos do solo degradado antes do manejo com biochar e será avaliado segundo os atributos químico (Nitrato, Amônio, pH e Condutividade elétrica), analisando o incremento do Nitrogênio no solo pelo manejo de biochar. Na análise granulométrica, o solo apresentou características de um solo Franco-Siltoso, e com uma grande quantidade de cálcio, resultado esse obtido com a análise de fertilidade. No momento está sendo realizadas as análises químicas já com a adição das diferentes doses do biochar para o manejo, esperasse com essa análise, que no solo tenha mais amônio que nitrato. Na agricultura, estudos realizados mostraram bons resultados com o uso do biochar, principalmente por sua característica de reduzir a lixiviação dos nutrientes e de água no solo (Lehmann, 2007; Lehmann& Joseph, 2009), garantindo maior eficiência de uso dos nutrientes pelas plantas e auxiliando na redução dos gastos com adubações químicas. Após ter analisado o solo e concluído o experimento, esperasse que no resultado do mesmo, a diferença de doses de biochar de Eucalipto tenha tido resultado positivo sobre o nitrogênio do solo e para que não contribua com a adição das bases trocáveis no solo de Gilbués, Piauí. Este estudo contribuirá com as pesquisa feitas em Gilbués pelo Núcleo de Pesquisa para Recuperação de Áreas Degradadas e Combate a Desertificação (NUPERADE).

I CONGRESSO NACIONAL DA DIVERSIDADE DO SEMIÁRIDO

Semiárido brasileiro: diversidade, tendências, tensões e perspectivas